Para Professores de Inglês

Lexical Approach (Abordagem Lexical): o que é e quais seus fundamentos?

MWhat is the Lexical Approach? O que é a Abordagem Lexical? Afinal, que abordagem é essa que nos últimos 25 anos tem influenciado tantos professores de inglês ao redor do mundo?

Nesse artigo, farei um breve resumo do que é a Abordagem Lexical – Lexical Approach. Portanto, se você sempre teve interesse em conhecer a história e também alguns dos fundamentos que sustentam essa abordagem, continue lendo.

As Origens da Abordagem Lexical

De modo prático, nós colocamos o início da Lexical Approach no ano de 1993. Foi quando Michael Lewis publicou o livro The Lexical Approach: the state of ELT and a way forward [Heinle ELT].

Por meio dessa obra, Lewis não só cunhou o termo Lexical Approach, como também colocou em xeque uma das mais sólidas bases do ensino de inglês: a Gramática. Afinal, para ele, a gramática como ensinada no ensino de inglês não deveria ser o centro do aprendizado e ensino de língua.

Essa ideia é inteligentemente resumida na frase:

A língua consiste de léxico gramaticalizado, não de gramática lexicalizada”.

Lewis procurava deixar claro que a base de uma língua é o seu léxico (vocabulário) e não as estruturas gramaticais e os termos técnicos repassados de modo mecânico e analítico aos alunos.

Esse “ataque” fico ainda mais forte quando Lewis afirma que:

O principal mal-entendido no ensino de língua inglesa é acreditar que a gramática normativa é a base da lingua e que o domínio do sistema gramatical é pré-requisito para uma comunicação efetiva.

1997 marca o lançamento de seu segundo livro sobre o assunto: Implementing the Lexical Approach – putting theory into practice [Heinle ELT]. Se no livro anterior, o foco estava em apresentar a teoria, neste o objetivo era mostrar o lado prático da Abordagem Lexical. Como suas ideias estava sendo aplicadas em salas de aula em vários cantos do mundo.

Foi assim que o ensino tradicional da gramática e das palavras soltas – juntamente com phrasal verbs e idioms – começou a ser questionado.

Fundamentos Básicos

Muitas pessoas passam a acreditar que a Lexical Approach deixa de lado o ensino de gramática nas aulas de inglês. Na verdade, isso não é bem assim!

O que a Lexical Approach é apenas mudar o modo como a gramática é ensinada.

Para isso, é preciso compreender dois conceitos essenciais no ensino de inglês: gramática e vocabulário.

Gramática Normativa vs. Gramática de Uso
Lexical Approach (Abordagem Lexical)

A gramática deixa de ser vista apenas como um conjunto de regras e termos técnicos e passa a se tornar algo vivo. Logo, torna-se algo a ser adquirido de modo natural e não mecânico.

Temos então de entender a diferença entre gramática normativa e – o que eu chamo informalmente de – a gramática de uso. Na primeira, o estudante decora regras, termos técnicos e faz atividades para avaliar se aprendeu os conceitos. Ele está assim aprendendo sobre a língua e não como usá-la naturalmente.

Já na segunda – a gramática de uso – o estudante aprende a usar a gramática de modo mais natural. Sem a necessidade de decorar os conceitos técnicos da gramática normativa.

Mas, como isso é possível?

Chunks of Language

Por meio dos chunks of language, formalmente chamados de formulaic language. Essa nada mais é do que a forma como o vocabulário (o léxico) da língua inglesa é visto dentro da Abordagem Lexical.

Os chunks são de vários tipos: collocations, fixed sentences, semi-fixed sentences, polywords, gambits e muitos outros. Os chunks podem ser organizados de acordo com situações do cotidiano, assuntos/temas específicos, conversacionais, etc.

Por meio dos chunks, os aprendizes internalizam (memorizam) a gramática de uso, as frases e palavras comuns em determinadas situações e também outras frases usadas para fins comunicativos ao falar e ouvir alguém na língua alvo.

Entender os chunks é a base da Abordagem Lexical. Afinal, ao entendê-los o profissional de ensino de inglês é capaz de ensinar a língua de uma maneira muito mais significativa aos seus alunos e alunas.

Vantagens da Lexical Approach

A Lexical Approach quando bem compreendida oferece ao professor maiores e melhores possibilidades de ensinar a língua.

Ela torna a aquisição da língua muito mais dinâmica, prática, e significativa para o aluno. Há, portanto, uma completa guinada na forma como o aprendiz adquire e usa a língua alvo.

Cumpre observar que através da Lexical Approach é proposta a ideia de que a proficiência em uma língua estrangeira é adquirida e desenvolvida mais rapidamente ao se dar total ênfase no ensino e aprendizado dos chunks of language.

O aprendiz adquire não só o léxico (chunks), mas também a gramática de uso e a pronúncia. Por essa razão, Lewis diz que a Abordagem Lexical é um abordagem integrada. Pois, o professor ensina vocabulário, gramática e pronúncia de modo integrado e não como “entidades” separadas.

A Lexical Approach pode revolucionar o modo como você enxerga o vocabulário e a gramática no ensino de inglês. Mais que isto: pode revolucionar o modo como você aprende/adquire inglês. Afinal, ela ajudará você a compreender o que é vocabulário, a aprender gramática através do vocabulário e muito mais.

Críticas à Lexical Approach

O trabalho de Michael Lewis chamou claro a atenção do mundo do ELT. Muitos autores e estudiosos começaram a prestar a atenção ao que ele dizia: fosse para elogiar ou para criticar.

Umas das principais críticas feitas estava no fato de que o nome Lexical Approach não era apropriado. Afinal, para alguns, não se tratava de uma abordagem propriamente dita.

Alguns dos críticos diziam que a Lexical “Approach” era apenas uma série de ideias sobre como ensinar vocabulário em sala de aula. Portanto, não deveria ter o status de abordagem.

Scott Thornbury, em 1998, publicou um artigo “The Lexical Approach – a journey without maps?”. Para esse autor, a Abordagem Lexical não apresentava um método (um mapa) mostrando como fazer as teorias funcionaram de modo sistemático em aulas.

Eu arrisco dizer que faltou aos críticos da Lexical Approach um pouco mais de maturidade para entender a riqueza das ideias de Lewis, um homem à frente de seu tempo.

Digo isso, pois hoje – 2019 –, muitas ideias de Lewis permeiam livros de ensino de inglês e muitas salas de aula ao redor do mundo.

Claro que isso não acontece de modo explícito. Mas, hoje é possível notar que temas como collocations e chunks of language estão presentes em vários obras e treinamentos de professores.

Muitos dos que criticavam a Lexical Approach em seu início, hoje se rendem a muitos de seus conceitos. Isso prova como a Abordagem Lexical realmente influenciou e continua influenciando profissionais de ensino de inglês em todo o mundo.

» Leia mais: A Diferença entre Método e Abordagem

Conclusão

O objetivo neste artigo foi apenas o de apresentar uma noção básica sobre a Lexical Approach.

Caso você seja profissional de ensino de inglês e esteja interessado em saber ainda mais sobre tal abordagem, recomendo que participe do curso Being a Lexical Teacher. Nele eu apresento muito mais conteúdo teórico e prático sobre esse assunto. Leia mais, clicando aqui.

Até a próxima! Keep learning!»

Etiquetas
abordagem lexical abordagens e métodos dicas para professores de inglês

23 Comentários

  1. Estudo num curso que utiliza este método! O discourse approach, você conhece? É a mesma coisa?

  2. Olha! Deve ser mais um nome que acharam bonitinho e resolveram colocar como se fosse a metodologia da escola.'Discourse approach' existe em tudo quanto é curso de idiomas que se preze. Serve para desenvolver materiais de cursos e tudo mais.Enfim… Não é nada de novo ai!

  3. Denilso, boa noite! No inicio do seu texto vc afirma que a escola Lexical de inglês não se baseia no método abordado. Minha pergunta é: Tem alguma escola que aborde essa forma de ensinamento, a qual vc recomenda?

  4. Arnaldo, tudo bem?Sinto muito discordar de você. Pelo que eu acompanho da Wise Up, posso afirmar que eles não utilizam a Abordagem Lexical. Embora, no começo da rede tenham divulgado muito isto.Durante um tempo, cheguei a ouvir que haviam comprado os direitos de uso desta abbordagem. Alguém até escreveu que "O dono da Wise Up o Flávio, comprou os direitos autorais deste método de ensino (Lexical Approach) do pesquisador inglês Michael Lewis".Esta informação é totalmente descabível conforme palavras do próprio Michael Lewis. Digo isto porque perguntei ao próprio Michael Lewis se isto era verdadeiro. E a resposta foi: "não, não é verdadeira". Lembre-se que como divulgador e da Abordagem Lexical no Brasil eu tenho contato com os pais da ideia! Afinal, lido com a Abordagem Lexical desde 1998 [5 anos após ser divulgada na Europa].Agora, por que a Wise Up não utiliza a Abordagem Lexical na minha opinião?1. Na Abordagem Lexical o professor pode – quando necessário for – utilizar a língua materna dos aprendizes para poder solucionar problemas. Isto não ocorre na Wise Up. Vale dizer que o uso da Língua Materna é essencial dentro da Abordagem Lexical.2. O material da Wise Up possui atividades de prática gramátical [estruturas gramaticais]. Algo que na Abordagem Lexical não pode acontecer. Vale dizer aqui que no comercial deles isto não é falado. No próprio site da Wise Up encontramos a seguinte informação: nosso "material procura dar uma visão da língua do ponto de vista gramatical, léxico, discursivo, social e intercultural". Eu avaliei o material da Wise Up certa vez e posso afirmar que isto é verdadeiro.3. Atualmente a wise Up não divulga mais a Abordagem Lexical como o carro chefe pedagógico da rede. Embora ainda haja uma tendência em ver partes da Abordagem Lexical por lá, o método da Wise Up é – conforme indicado no site – o Discourse Analysis [Análise do Discurso]. vale dizer que todo mundo que escreve um livro para ensino de inglês [incluindo a maioria das redes de ensino de idioma como CNA, CCAA, Fisk, Cel-Lep, inFlux, Cultura Inglesa, etc] fazem uso da Análise de Discurso e uso de material autêntico. Ou seja, a roda não está sendo inventada pela Wise Up.Por estas e outras eu afirmo que a Wise Up não utiliza a Abordagem Lexical em sua metodologia de ensino. Posso dizer que eles [assim como outras redes] usam algumas das ideais da abordagem lexical. No entanto, não a usam de modo efetivo. A Wise Up é uma rede de idiomas [You Move, Lexical, Go Getter] com uma excelente equipe de marketing e isto faz uma grande diferença! Muita gente gosta e muita gente não gosta! Muita gente recomenda e muita gente não! Isto é a mecânica do mercado. Porém, a mecânica pedagógica da Abordagem Lexical não é esta!

  5. Denilso, parabéns pelo Blog e obrigado pelas informações. Fui abordado pelos vendedores da Wise e eles afirmam com convicção que são os detentores da patente do Lexical Approach. Inclusive utilizam o nome do Prof. Lewis várias vezes durante a apresentação da escola. Obrigado pelos esclarecimentos

  6. Denilson porque vc acha que na escola lexical só ha o nome do metodo, não tem nada do metodo na metodologia deles? vc ja assistiu uma aula? é boa? ou não?

  7. Denilso, seu blog é muito interessante. Esta proposta de vocabulário e não gramática, gramática³… é muito melhor. Eduardo Gurgel, meu querido professor que o diga…Beijos, Ry.

  8. Olá Denilson, sou professora de Inglês em escolas públicas e gostaria de receber os ebooks e se possível, também o Inglês na ponta da língua. Vocês poderiam enviar-me um boleto bancário no valor total? Thank you for sharing all you know with us.

  9. Olá Denilson, como vai?Peço desculpas mas creio que tudo o que você escreveu sobre a Wise Up é improcedente. Uma das coisas mais infundadas é que o Flavio Augusto tenha mencionado a compra de qualquer direito sobre um Lexical Approach, me poupe isso não é sequer do autor, não é uma descoberta é uma linha de pensamento. Segundo o grupo ao qual vc se refere é o Ometz Group e não o grupo Wise Up. Caso queira saber mais só entrar <a href="http://www.ometzgroup.com.brwww.ometzgroup.com.br<br />Outra coisa que você fala sem ter conhecimento, o material que trabalha com Lexical Approach adivinha de qual das empresas do grupo pertence?? A Lexical… Já a Wise Up tem foco no Discourse Approach que se vc estudar é interconectado por camadas e gramática faz parte dela, bem como faz do Lexical Approach.Além do mais o curso é inteiro em inglês do início ao fim e o professores não falam português em aula… então por favor antes de falar de alguma coisa estude e pesquise, pois isso pareceu a mim uma baita dor de cotovelo. abç

  10. Ao Anônimo acima,Trabalho com ensino de língua inglesa há mais de 15 anos. Quando comecei a Wise Up era ainda um embrião e a Abordagem Lexical (Lexical Approach) estava começando a ser difundida no mundo pelo Michael Lewis e outros proponentes da ideia.Em 1999, quando comecei a estudar métodos e abordagens mais a fundo no Brasil, lembro-me que a Wise Up vendia a ideia de que eles haviam comprado os direitos da Lexical Approach do Michael Lewis. Essa história cotinuou por alguns anos depois e, como era de se esperar, eles – Wise Up – pararam de falar isso na mídia escrita. O interessante é que em algumas comunidades do Orkut, isso ainda é afirmado categoricamente.Criaram então uma nova marca – a Lexical – que se tornou então a escola que utiliza a Lexical Approach. Vale acrescentar aqui que muitas questões fundamentais e essenciais da Lexical Approach são deixadas de fora no material e no método da escola Lexical.O Ometz Group – ou Grupo Wise Up – foi formado como uma forma de englobar todas as empresas do grupo: Spartacus, Yeah, Lexical, Wise Up, Wise4U, Wise Up Teens, etc. Vale dizer que o Grupo Wise Up, nome pelo qual muitas pessoas do ramos de ensino usam para se referir ao Ometz Group, foi criado bem recentemente.Para provar que não se trata de dor de cotovelo, mas sim de uma opinião formada por uma pessoa que acompanha a história das escolas de idiomas no Brasil, acrescento aqui uma admiração que tenho pela Wise Up (principalmente ao presidente Flávio Augusto e ao Sérgio Barreto): admiro a coragem que eles têm de mudar o nome do método utilizado na Wise Up e inclusive o material produzido para a escola. Essa coragem em mudar prova que eles procuram estar antenados, embora ao modo deles, com o que há de interessante no ensino de idiomas. Isso não quer dizer que são os melhores; mas, são uns dos melhores nesse quesito. Admiro ainda o treinamento pedagógico deles dados aos coordenadores e novos franqueados da rede. Acredito que deveria servir de modelo para outras redes de ensino. Portanto, querido Anônimo, o que eu escrevo ou falo em minhas palestras (cursos e workshops), não é dor de cotovelo, mas sim conhecimento de causa. Não sou nenhum blogueiro ou estudioso sentado em uma cadeira falando coisas sem saber. Se você quiser, posso passar horas conversando com você sobre a história do ensino da língua inglesa no Brasil – desde a chegada do rei D. João VI e sua côrte em 1808 até os dias de hoje.Jamais escrevo algo com dor de cotovelo, ao contrário de algumas pessoas – que sei quem são – e que se escondem atrás da alcunha de Anônimo aqui no blog. Fato que mostra que se trata de uma pessoa sem argumentos e que sabe pouco sobre o assunto no Brasil. Enfim, quem será que está mesmo com dor de cotovelo? Take care, pal!

  11. Excelente explicação, e tenho certeza que vc fala com propriedade pois é o que temos visto ao longo do seu blog e livros! Parabéns!O Anônimo aí é um analfabeto funcional, ele afirmou a mesma coisa que vc falou Denilson hehe… "Além do mais o curso é inteiro em inglês do início ao fim e o professores não falam português em aula".