Gramática da Língua Inglesa

    Gramática de Uso: Fazendo Perguntas Informalmente

    Ao fazer um curso de inglês ou estudar livros de gramática normativa da língua inglesa, você aprende que para fazer perguntas corretamente em inglês deverá fazer assim:

    • Do you like orange? (você gosta de laranja?)
    • Does he speak English? (ele fala ingles?)
    • Did you go there yesterday? (você foi lá ontem?)
    • Are you ok? (você está bem?)
    • Have you seen Carlos lately? (você tem visto o Carlos recentemente?)
    • Are you busy? (você está ocupado?)

    Ou seja, você aprende que deve usar os tais verbos auxiliares e inverter a ordem das palavras nas sentenças interrogativas. É assim que professores – e gramatiqueiros – exigem que alunos e alunas falem durante anos de curso. Mesmo assim, não é raro ouvir um estudante de inglês em sala de aula dizer “You like orange, teacher?” (você gosta de laranja, professora?). O aluno faz a pergunta na maior vontade de se comunicar com sua teacher; porém, o que ele ouve como resposta é uma repetição enfática de sua pergunta seguida por um comentário:

    DO YOU like orange, teacher? Remember the ‘DO‘ when asking questions, ok?

    Não é de estranhar que muita gente acha inglês complicado, chato, difícil, impossível de ser aprendido, etc. Tudo por causa de um ‘do‘ que ficou faltando na pergunta. Nesse momento eu pergunto, a falta do ‘do‘ (ou qualquer outro verbo auxiliar) prejudica a comunicação no dia a dia dos falantes nativos da língua inglesa?

    Se você gosta de assisitir a programas de TV, escutar músicas, conversar informalmente com as pessoas em inglês, notará que americanos, ingleses, australianos, canadenses, etc., ao baterem papo uns com outros podem fazer as perguntas acima da seguinte maneira:

    • You like orange? (você gosta de laranja?)
    • He speaks English? (ele fala inglês?)
    • You went there yesterday? (você foi lá ontem?)
    • You ok? (você está bem?)
    • Seen Carlos lately? (você tem visto o Carlos ultimamente?)
    • You busy? (você tá ocupado?)

    Algumas vezes é possível notar também que quando uma pessoa conversa diretamente com outra, a palavra “you” simplesmente desaparece do diálogo:

    • Like orange? (gosta de laranja?)
    • Went there yesterday? (você foi lá ontem?)
    • Busy? (ocupado?)

    Estranho não!? E aí, quem está errado: o professor ou os falantes nativos da língua? Na verdade, ninguém está errado. O problema é que os professores de inglês sempre ensinam aquilo que está nos livros e aquilo que está nos livros é o inglês formal. Os falantes nativos ao conversarem informalmente com as pessoas fazem uso do inglês do dia a dia, ou seja, o inglês informal. [» Leia também: You want to speak English or “Book English”?]

    Infelizmente, o inglês informal raramente é apresentado nas escolas e livros. A grande maioria das escolas baseia seu ensino nas regras e termos técnicos da gramática. As atividades realizadas fora ou dentro da sala de aula procuram desenvolver o aprendizado do inglês formal.

    Assim, ao escutar uma música, filme, entrevista, desenho animado em inglês os estudantes se complicam. Afinal, há uma grande diferença entre o que é ensinado nos livros e o que falado no mundo real. É por isso que muita gente tem a triste sensação de não sabere inglês ao assistir a um filme ou seriado, por exemplo.

    Observe nos exemplos acima como as famosas regrinhas não são usadas no inglês informal. Acontece com o inglês, a mesma coisa que acontece com o português nosso de cada dia. Por exemplo, a gramática da língua portuguesa diz que o correto é dizer “o que você está fazendo aqui?”, mas no dia a dia a grande maioria das pessoas diz “que qui ce tá fazenu aqui?” (isso tudo pronunciado rapidamente e sem pausa). Se você ainda não se convenceu, vou dar mais exemplos dessa confusão em nossa própria língua:

    Como é que é?” vira “Comé?”; “você foi lá ontem?” se torna “cê foi lá onti?”; “ele passará por aí hoje?” vira “ele vai passá puraí hoji?”; “onde está a chave do carro?” vira “cadê a chavi du carru?” Por incrível que pareça, é assim que a maioria das pessoas (inclusive você!) fala português no Brasil. Imagine um estrangeiro aprendendo português de acordo com as gramáticas. O que você acha que acontecerá no dia que ele tiver de ir a uma feira?

    Infelizmente, nós, aqui no Brasil, temos de aprender o inglês bonitinho, com todas as regrinhas gramaticais no lugar, tudo certinho; do contrário, será 0 (zero) na prova e, pior que isso, a péssima sensação de que você não nasceu para aprender inglês.

    Mas, peraí (espera aí)! O que você deseja é falar inglês de modo natural, entender o que os gringos dizem! Você não quer ser especialistas em gramática, ou quer? Sei lá! Vai de cada um, não é mesmo? Não desmereço o valor do ensino das regras e termos gramaticais, mas gostaria de professores preocupados em ensinar como o inglês é realmente usado no dia a dia. Gostaria de ver coisas como:

    • Do you want to go there? (você quer ir lá?)
    • Have you ever been to theUSA? (você já esteve nos Estados Unidos?)
    • Did you talk with her about that? (você falou com ela sobre isto?)
    • What do you think? (o que você acha?)
    • What are you going to do tonight? (o que você vai fazer hoje a noite?)

    Sendo ensinadas assim também (e sem vir com aquele papo de que isso é o inglês do ‘negros da região tal’ ou dos ‘caipiras de não sei onde’…):

    • Wanna have a pizza? (cê qué uma pizza?)
    • Ever been to the US? (cê já teve nos Estados Unidos?)
    • Talked with her about that? (cê falô cum ela sobre isso?)
    • What you think? (que qui você acha?) ou Watcha think? (que qui cê acha?)
    • What you’re gonna do tonight? (que qui você vai fazê hojia noiti?) ou Watcha gonna do tonight? (que qui cê vai fazê hojia noiti?)

    Claro que o professor deverá informar seus alunos que as perguntas feitas desse modo informal, mais despreocupado com regras de verbo auxiliar e inversão, etc., só será usado em situações realmente informais. Em ambientes onde a formalidade se faz necessária (reuniões de negócio, palestras, conferências, tribunais, pessoas que não se conhece bem, etc.) o melhor é falar de modo neutro, respeitando as regras e tudo mais. Isso é conversa para outra hora.

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    37 Comentários

    1. É, Denilso, concordo que os professores têm uma certa "obrigação" de mostrar o lado informal do inglês também….porém, só acho que isso é válido para alunos que já têm um bom nível. Porque se o professor não fizer isso, vira zona.. um tempo atrás, um ex-professor meu quis inovar e mostrou esse lado do inglês na sala de aula, só que lá tinham alunos mais fluentes e aqueles que levam o curso com a barriga, sabe? Enfim… deu um certo rolo pra estes entenderem como funciona a coisa. Inovar é bom mas acredito que nem sempre…e continue com essa série do inglês falado, quero ver como termina =) grande abraço!

    2. Grato atodos pelo comentário de incentivo!———–Bianca,Eu acredito que todos os professores deveriam sim mostrar o lado informal da língua. Afinal, é este modo de falar que eles encontrarão ao longo do caminho. A realidade do inglês é deixada de lado dentro das salas de aula, infelizmente! Por isto quando os alunos vão assistir a um filme não entendem praticamente bulhufas do que está sendo falado!Eu também pensava como você antes. "isso é válido para alunos que já têm um bom nível". Mas hoje mudei completamente meu modo de pensar. Após fazer algumas experiências com alguns grupos pude observar que ao ensinar o inglês informal primeiro (alunos iniciantes) fica muito mais fácil ensinar o lado formal depois (ao atingirem um nível intermediário ou avançado) Ao longo do curso os alunos vão entendendo (listening) com muito mais facilidade e naturalidade. Eles adquirem sentenças (material lingüístico) para compararem o formal com o informal! Enfim, na minha experiência o trabalho foi facilitado e tornou o modo dos alunos a falar mais natural! Sem contar a questão da motivação que subiu e muito!Sinto muito pelo seu ex-professor que tentou fazer isto e não conseguiu bons resultados! Aqui entra em cena o modo como isto é apresentado! Não pode ser apresentado com preconceitos ou gracinhas! E muito menos como uma forma de mostrar que um tipo de inglês é melhor que o outro! Enfim… É preciso INOVAR conscientemente e pelo bem dos milhares de alunos de língua inglesa espalhados pelo Brasil…Bjos… Tenho sentido sua falta na comunidade, no blog e no meu perfil… Está tudo bem? Take care…

    3. VC eh maravilhoso…simplesmente assim!!!Obrigada… vc n imagina como me ajuda no dia a dia!!!Bjus

    4. Muito bom cara.Muita coisa que vc disse acima não se encontra nem em dicionários que também mostram o inglês informal.Valeu man.

    5. Aí, quando eu tinha 7 anos, já fala portugues pelo menos ha 6, não tinha noção nenhuma de gramatica e seus verbos, adverbios, sujeitos e predicados.Mas fala e conseguia me comunicar com meus pais irmãos e colegas.Então pergunto, por que eu não posso primeiro aprender a falar o inglês e depois mais tarde aprendo suas regras.O primeiro objetivo da comunicação não é se comunicar? Nivan Gomes

    6. Denilso, concordo com você. Nós professores temos que ensinar o inglês informal também;Apenas penso que quando um aluno quer aprender inglês ele pensa no futuro, em um trabalho melhor, o inglês para a vida acadêmia e claro para viagens.Portanto…. se não ensinarmos o inglês formal, quando esse aluno for enviar um e-mail, conversar por telefone com algum diretor de uma multinacional e esses não forem falantes nativos da língua inglesa vai soar estranho ele não usar a forma correta do inglês, porque em todo o mundo as escolas dão prioridade para o inglês forma.Imagine nós brasileiros, mandando um emaiul, ou falando com um diretor de uma empresa assim " “cê foi lá onti?”um abraço e muito obrigada por compartilhar sempre seus conhecimentos.Rosana Baraldi

    7. Curioso, estávamos discutindo exatamente isso na comunidade PET do Orkut…Fala mais dessa experiência com seus alunos…fiquei curiosa…sinceramente, hoje, não saberia como trabalhar assim com alunos iniciantes. Abraço!

    8. Boa noite Denilso,parabéns por ensinar algo tão importante e tão neglicenciado pela maioria,minha vida toda aprendi o inglês normativo,recentemente estive em Londres e quando entrei em um famoso café o atendente perguntou "you been served?". Confesso que, como não ouvi o "have" no início, demorei pra entender, o que fez o moço repetir a pergunta. Fui até meu professor lá eperguntei a respeitoe ele me disse:"É assim que se fazem perguntas normlmente". Vivendo e aprendendo.Mais uma vez parabéns.

    9. Poxa, nem sabia de tudo isso e de fato, o "do" me atrapalha bastante quando quero tentar fazer perguntas em inglês =Eu me atrapalho toda só por causa das perguntas.Seu post está muito bom mesmo. Parabéns 🙂

    10. Correction of my previous posting:Despite your explanation, I still prefer speaking the "Queen's Language", did you catch it up?

    11. Denilso, Vc está de parabéns. Cada vez que venho ao seu blog e leio, seja postagens antigas ou novas, sempre me surpreendo com a facilidade que vc tem em passar as infos. de forma simples. Muito bacana.E ai, teremos promoção nos e-books? acabei perdendo dos dias atrás.Take care my friend!Marcelo T.

    12. algumas coisas como a lingua portuguesa ,ele fala que nos pronunciamos errados ,mas,o que ele escreve ali pelo menos os gauchos nao sao tao ,burros de falar dessa maneira, (nao estou dizendo que quem nao é gaucho nao fala direito), só estou apenas discordando sobre a maneira que ele fala desse tema…

    13. agora sim, me abriu a visão cara.por isso nao dah pra entender p!nenhuma nos filmes Pô! O macho tchê aí ficou bravo contigo véi.heheheheheh

    14. Denilso, boa noite!!!Tô entendendo agora a sacanagem!!! Pensava que que somente estava com dificuldades nesta lingua e sempre achei que era um burrico e que jamais conseguiria entender inglês… (ou melhor, pensava que só eu não entendia p.. nenhuma dessa lingua)Agora saquei a sacanagem dos professores… Na verdade eles não têm culpa alguma, pois esta "seria" uma forma "adequada" de aprender inglês.Hoje entendo um pouquinho de português… um idioma muito difícil que se alguém se aventurar em aprender as regras gramaticais para depois aprender falar será complicado… os dois juntos então… já viu!!!… só gaúcho mesmo!!! ainda bem que não sofro desse mal… brincadeira, hein!?!?Um abraço e meus parabéns pelo apoio!!!

    15. Ameis as dicas Denilso. Fiz 5 anos de inglês mas nenhum professor me deu as dicas que estão nesse post. Só fui me familiarizar mesmo com a língua fora da sala de aula. Infelizmente as escolas de inglês hoje prezam muito pela gramatica e acabam atropelando outros aspectos essenciais da língua como o listening. Ainda bem que descobri as minhas falhas e agora mais que nunca vou correr atrás da minha tão sonhada "fluência em inglês".Parabéns pelo blog!

    16. Denilso adoro suas dicas! Elas deram uma alavancada imensa em meu ingles! Parabéns pelo trabalho! Acho q vc nunca terá a dimensão dos resultados do mesmo, mas com certeza coisas boas surgirão pra vc cada dia mais como recompensa. Valeu mesmo!

    17. Amei!! agora ficou melhor para mim entender as músicas q eu gosto!! q ñ é nada formal!:DAdorei as dicas e acompanho sempre o blog!Bjos.

    18. Denilso,PARABÉNS pelo blog, estou fazendo curso de intercâmbio no Canadá, cheguei aqui há uma semana e meu inglês é intermediário…Até que o DO e o DID eu acho fácil de encaixar na pergunta, meu pesadelo é o DOES…Eu começo fazer a pergunta e penso tanto na inversão das palavras e no uso do auxiliar que me enrolo toda…Estava me sentindo a última dos mortais até ler esse post, agora vou "desencanar" e agir mais naturalmente nas conversações, meu problema sempre foi as perguntas…Thanks,Adorei 🙂

    19. Concordo, mas discordo. Vou explicar: os alunos adoram quando explicamos pra eles que "wanna", for example, é uma uma maneira informal de falar "want to". Esclarece muita coisa na cabeça deles, os seriados que eles assistem, músicas, etc. Mas se eu ensinar o "wanna" antes do "wanto to", eles absorveriam a forma gramaticalmente incorreta primeiro e, consequentemente, a usariam erroneamente numa comunicação formal (na empresa onde trabalham, numa viagem de negócios, e por aí vai…).but… concordo que eles precisam saber o inglês informal já que é o que os native speakers usam no dia a dia, nos filmes, na internet… o que precisa ser feito é apresentá-los ao informal, mas não deixando nunca a gramática de lado pois não tem nada mais incômodo do que ouvir alguém falando errado, seja em inglês, português, mandarim, italiano, enfim..

    20. MUITO BOM! PASSEI A SER SUA FÃ SOMENTE OLHANDO OS COMENTÁRIOS, QUE FAZIAM A SEU RESPEITO.VOCÊ É O CARA!

    21. Primeiramente quero parabenizá-lo pela sua grande fluência no inglês!Segundo, gostaria de tirar 2 dúvidas!Perguntei a minha professora do cursinho como eu escrevo a palavra aniversariante e ela disse que seria 'birthday host'. Você concorda ou conheçe outros nomes?A segunda dúvida é: Estava conversando com uma canadense e ela elogiou seu netinho de 1 ano dizendo: He's such a happy little fellow. O que seria esse such? Uma intensidade na frase?Desde já, obrigada

    22. Liza, Birthday host é usado quando a pessoa que está fazendo aniversário, está também recepcionando uma festa. No mais, você pode dizer [Birthday boy/birthday girl] – Where is the birthday girl?[Onde está a aniversariante?]- Have you seen the birthday boy?[Você viu o aniversariante?]Pra responder sua segunda pergunta, recomendo ler esse post AQUIAbraços,Bruna.Curta o Inglês na Ponta da Língua no Facebook

    23. É interessante mostrar a diferença entre um e outro, apenas que para algumas situações muito importantes da vida você precisará do inglês formal, por exemplo, vestibular, testes para emprego, TOEFL, para o mercado de trabalho. É preciso ter muito claro qual o seu objetivo para aprender inglês. Se for para o mercado de trabalho, muitos empresas e cargos exigem o inglês formal.

    24. Os exemplos de informalidade da língua portuguesa eu desconheço, isso que sou falante nativo há 40 anos.

    25. eu ensino português para estrangeiros nos Estados Unidos e várias partes do mundo (pelo Skype) e na nossa empresa nós fazemos questão de mostrar os dois lados da língua (a do livro e das streets) para que nossos alunos possam usá-las corretamente em situações diversas. é um desafio, mas dá resultado. 🙂 parabéns pelo trabalho, descobri sua página essa semana e gostei muito!
      Renata

    26. achei muito bom até chegar ao português e você escrever “onde está a chave do carro?” vira “cadê a chavi du carru?” me faz lembrar de como insistir certas horas é irritante… ‘cadê’ é como ‘a gente’ são expressões… todas as palavras em português que terminem com e e o não acentuados são pronunciadas com i e u, sendo que esse i e u são diferentes do i e u do som das próprias vogais… te amo e amo a ti, urubu, Fábio… já deveria estar na gramática, porque sinceramente isso não vai mudar… ninguém vai sair por aí falando “você viu ô Fábi”? Português kills me!

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