Por que não sou tão fã de Gramática?

Alguns leitores me questionam o fato de eu não ser muito fã de gramática e por não falar muito de regras gramaticais aqui no blog. Diante disto, decidi compartilhar a resposta com todos.

Antes de continuarmos veja só o que um lingüista brasileiro tem a dizer sobre o conhecimento de Gramática Normativa para quem quer se comunicar em português:

Para a grande maioria dos falantes nativos de uma língua, o que importa é ser comunicativamente competente em sua língua. Ter conhecimento sobre a língua e/ou ser analista da mesma importa a pouca gente (lingüistas, gramáticos, teóricos da língua em geral, professores de língua materna e estrangeira e em menor grau a alguns profissionais que se valem diretamente da linguagem, tais como jornalistas, publicitários, revisores, etc). [Gramática – Ensino Plural, Travaglia]

São por causa de palavras assim que eu, como Profissional de Ensino da Língua Inglesa, evito mencionar os tecnicismos da língua inglesa. Acredito que uma pessoa que queira aprender uma segunda língua para se comunicar com outras pessoas não precisa saber da teoria gramatical.

Uma pessoa que deseja se comunicar em inglês pode aprender a dizer “have you ever been to…?” (você já foi para…?), sem ter a necessidade de analisar gramaticalmente a sentença. Como diria um amigo meu: “a gente quer é se comunicar e não ficar fazendo a autópsia das sentenças“.

Claro que conhecimento de Gramática Normativa (regras e os nomes dos termos técnicos) pode ajudar o aluno em algum momento. Porém, não faz a menor diferença na hora de expressar uma idéia (se comunicar).

Antes que alguém me chame de louco, tenho de dizer que há uma abordagem de ensino de idiomas conhecida como Lexical Approach (Abordagem Lexical) que, em resumo, afirma o seguinte:

Para se aprender uma língua o importante é aprender vocabulário. Porém, isto não significa que você deve ficar decorando palavras isoladas. Você deve, na verdade, ver vocabulário como algo maior, algo mais abrangente, mais amplo. Este ‘algo’ nós chamamos de Itens Lexicais (Lexical Items). Muitas vezes uma sentença completa é um item lexical (ou seja, é um vocabulário). Pense nas pessoas que nunca estudaram inglês e são capazes de dizer ‘the book is on the table’. Elas aprenderam a dizer a sentença por completo, elas não tem a menor noção da teoria gramatical por trás da sentença. Tem ainda as pessoas que entendem (e falam) ‘what’s your name?’ e dão a resposta sem titubear. Isto mostra que uma sentença completa pode ser facilmente aprendida por quem quer que seja e sem a necessidade de conhecimento dos tecnicismos da gramática.[Denilso de Lima em workshop a professores]

A Abordagem Lexical em termos mais simples é uma abordagem de ensino de idiomas no qual você aprende vocabulário, gramática e pronúncia de modo integrado. Isto é, você aprende os três juntos e não isoladamente. A vantagem para o aprendiz é que o curso dura menos tempo (dependendo da vontade do aluno pode durar até 1,5 ano). Outra vantagem, é o fato de você aprender a se comunicar de modo real e natural e não mecânico. Sem contar que tudo o que você aprender não tem de ficar analisando minuciosamente e decorando as regras gramaticais e os nomes esquisitos da nomenclatura gramatical.

Vocês já devem ter entendido a razão pela qual eu não falo muito de Gramática Normativa por aqui. Sou contra enfia teoria gramatical na cabeça de alunos. Sou adepto ferrenho da Abordagem Lexical (meu primeiro livro até explica tal abordagem de modo simples para alunos e professores).

Como sei que o assunto é polêmico e tem professores que visitam este blog, fiquem à vontade para perguntar, criticar, sugerir o que bem quiserem na área de comentários, ok? Have a nice day, you all!

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