Pronúncia do Inglês

Por que aprender a pronúncia do inglês é difícil?

Por que aprender a pronúncia do inglês é difícil? Essa é uma pergunta que muita gente me faz. Algumas pessoas dizem que não é tão difícil assim. Já outras simplesmente sofrem para se acostumar a ouvir (diferenciar) e reproduzir alguns sons.

Neste artigo, vou falar um pouco sobre esse fenômeno. Portanto, continue lendo para entender algumas coisas interessantes e curiosas.

Como aprendemos os sons de nossa língua?

Quando crianças ficamos tão expostos aos sons da nossa língua materna [português] que com o passar do tempo começamos a produzir tais sons naturalmente. Em inglês, esse reconhecimento dos sons e adaptação a eles é chamado de phonemic awareness (algo como consciência fonêmica).

Após essa fase inicial, passamos a aprender os morfemas. Ou seja, começamos a colocar os sons juntos e a formar palavras. Isso tudo acontece conforme vamos crescendo. Nós ouvimos os sons (percepção) e começamos aos poucos a reproduzi-los (produção).

Por que aprender a pronúncia do inglês é difícil?

Depois, da fase dos morfemas, passamos para a fase das sentenças. Vamos repetindo frases curtas e na maioria das vezes com a gramática não muito acertada. Mas, lá dentro do nosso cérebro a área responsável pela aquisição da gramatical natural também está sendo trabalhada.

Essas “fases” acontecem aos poucos e podem variar de um bebê para outro. Contudo a sequência é a mesma: fonemas, morfemas, sentenças.

Ok! O que dizer no caso de um adulto que decide aprender inglês?

Adultos aprendendo uma segunda língua

O subtítulo aqui deveria ser “aprendendo os sons de uma segunda língua após a puberdade“. Isso porque é após a puberdade que as coisas começam a ficar difíceis. E por quê?

Ao iniciarmos os estudos de uma segunda língua temos de aprender a perceber e reproduzir os sons daquela língua. Muitos sons não existem na língua materna do aprendiz, logo o cérebro tenta associar os sons desconhecidos a sons conhecidos. É o que acontece com os sons do TH que parecer soar como z, s ou f, em algumas palavras. Ou o que gera dificuldades para perceber a diferença entre man e men.

De acordo com estudos realizados por pesquisadores da Radboud University na Holanda, o cérebro faz essa associação porque para ele essas diferenças não são tão importantes. No entanto, com o passar do tempo, ele vai se acostumando e percebendo as diferenças. Assim, você pode aprender a perceber a diferença entre man e men, symbol e thimble ou beach e bitch, mas não dá conta de reproduzir os sons da mesma maneira.

Por quê?

O aparelho fonador

Todos os sons que produzimos em nossa língua – ou qualquer outra – precisam do nosso aparelho fonador (língua, lábios, laringe,traqueia, etc.). Todo este aparelho é controlado por músculos.

Quando crianças (bebês), o aparelho fonador (consequentemente, os músculos e nervos que movem tudo isso) está em fase de desenvolvimento. Portanto, a capacidade de se adaptar, aprender, acostumar-se aos movimentos necessários para reproduzir os sons é muito mais fácil.

Mas, quando passamos de uma certa idade, vai ocorrendo um certo enrijecimento dos músculos. Consequentemente, é extremamente normal que tenhamos dificuldades para aprender aqueles novos sons que uma segunda língua tem.

Isto significa que a sua dificuldade em aprender a pronunciar corretamente o som do th em tooth e with não significa que você seja incapaz de aprender inglês. Na verdade, a dificuldade está no fato de você tentar movimentar seus músculos de um modo ao qual não está acostumado. Os músculos do aparelho fonador não estão adaptados e preparados para esses novos sons. E como o tempo (idade) passou, esse músculos não se sentem muito confortáveis para reproduzir os novos sons com exatidão.

Dá para resolver isso?

Para responder a essa pergunta, vamos imaginar uma situação muito frequente nos dias de hoje.

Você passa anos sem exercitar os músculos dos braços, pernas e abdômen. Certo dia, você decide entrar em uma academia. Você começa meio aos poucos, sente dores, pensa em parar, etc. Você se sente desconfortável. Afinal, você não está acostumado a se exercitar! Porém, com o tempo, persistência, continuidade, prática, etc., os músculos se adaptam às novas atividades.

Pois bem! O mesmo acontece com os músculos do aparelho fonador.

Ou seja, é preciso prática, persistência, tempo, continuidade, esforço, dedicação, etc., para que todo o aparelho se acostume a reproduzir esses novos sons.

Para isso, é preciso escutar inglês o máximo que puder (aprender a perceber os sons). Fazer atividades/exercícios que foquem na reprodução desses sons sons. Estudar a pronúncia das palavras. Comparar os diferentes sons da língua portuguesa e da língua inglesa. Enfim, estudar e praticar.

Mas…

Contudo, é preciso ter em mente que muitos sons provavelmente não sejamos capazes de reproduzir da mesma forma como um falante nativo. Em outras palavras, pode ser que você nunca domine os sons do TH com maestria.

Isso pode ser difícil de aceitar! Mas, não se desespere e não perca sua motivação. Os especialistas em ensino de línguas dizem que o importante é se comunicar. Portanto, o que conta mesmo é o conjunto da obra.

Isto significa que se na expressão ‘I used to go to the gym when I was twenty‘ você pode pronunciar o ‘used to‘ como ‘iuzed tchu‘ ou ‘iustchu‘, a pessoa que ouvir saberá o que você estará dizendo. Afinal, o contexto deixa claro o rumo da conversa. Claro que há casos que podem causar confusão; mas, geralmente uma boa conversa acaba deixando tudo bem claro.

O importante é não se martirizar e achar que incapaz de aprender inglês por causa de um som ou outro. Há muito mais coisas para ajudar você a se comunicar em inglês. Então, foque nisso! E aos poucos vá fazendo exercícios que ajudem você a se dar bem com os novos sons. Mas, caso não consiga ficar igual um nativo, não desista; afinal, você não é um nativo.

Espero ter deixado esse assunto claro a todos. Aprender a pronúncia dos sons é importante, mas não é o tudo. Aprender a pronúncia é importante, mas se comunicar é muito mais. Aprender a pronúncia é importante, mas é bem provável que muitos sons você saberá identificar (reconhecer), mas nunca reproduzir com precisão.

Não desista do inglês por causa do ‘th’. Inglês não se resume a isso!

Take care and keep learning!

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14 Comentários

  1. Oi Denilso!Excelente a sua explicação!Muito útil pois as pessoas precisam entenderque aprender um idioma é mesmo um novoprocesso que envolve a musculatura!Eu encontrei um vídeo do Inglês Verde Amareloque mostra isto muito bem (com o TH)http://www.youtube.com/watch?v=3jE3jgpv9sk&feature=relatedValeu!!!Annabela:o)

  2. Oi Denilso.Agora sim me sinto melhorAs vezes quando estou estudando ou mesmo la no cursinho de ingles me acho meio burra sei la rsadorei este post.PARABENSSS

  3. muito boa dica. isso sempre me preocupava. uufa!! thanks. 🙂 estou melhorando muito meus estudos com as dicas dadas aqui.

  4. olá Denilso,Estou usando este meio para me comunicar com você.Eu estou procurando material para ser aplicado a crianças. Meu filho ingressou em um colégio particular e iniciou assim na disciplina de Inglês, mas tá tendo algumas dificuldades. Estou procurando material para apóia-lo nessa fase inicial, que seria material bem inicial e voltado a crianças. obrigada desde já.Eleriane

  5. Cara, conheci teu blog hoje por um acaso.Estava com uma dúvida sobre um determinado assunto, ponho no Google, e achei teu blog.Meus parabéns.Estou fazendo curso de inglês desde os 7 anos. Hoje com 15, ainda tenho minhas dúvidas, mas aqui no blog tem bastante coisa para nos ajudar. Esse texto foi muito bom. Muito me intriguei como os nativos conseguiam distinguir "man" de "men", que para mim é super difícil haha.Valeu mesmo cara.Abraços!

  6. pow! Denilson, Excelente post, meu professor sempre fala isso. Recentemente estou fazendo um curso de pronuncia e o resultado vc começa a sentir, do que era antes, mas lentamente. porem ja percebemos algo ja começa a mudar, agora eh praticar e ter paciencia, acho que eh a chave. E outro detalhe eh nao ter vergonha, pois tem alguns sons que para os mais timidos, ficam sem graça em pronunciar, isso tem que ser deixado de lado e se lançar na lingua.
    abracos,

  7. É verdade! Um dia eu comecei a me sentir incapaz e fui pesquisar sobre o assunto e encontrei pessoas renomadas dando essa explicação.Aqui reforço uma dica do Denilso que aparece em alguns posts: [b]pratique o que acabou de aprender falando em voz alta![/b]Ajuda, e como![]'s,Peterson Abelhaps: vlw pelo email. Que bom que você viu que tinha outros planos. Pior coisa da vida é fazer uma coisa que sente não ser o que deveria estar fazendo. Deus abençoe nesse seu propósito de ajudar as pessoas!ps: esse OpenID é do meu novo blog. Se quiser dá um pulo lá depois…

  8. Agora me vem outra dúvida mas essa não me preocupa, aliás então sou privilegiado. Bom, eu comecei inglês finalmente este ano e quase não tenho dificuldade de pronunciar as palavras, desde que me ensinem ou ouça bem a pronúncia correta. Minha professora já até comentou mais de uma vez em prova de pronúncia: perfect pronunciation! E que eu e o outro aluno até parecemos gringos falando.Pergunta: se eu não sou mais criança como que consigo pronunciar e alguns alunos mais jovens não?

    1. Existem algumas pessoas que simplesmente são fora da curva geral. Eu mesmo comecei a estudar Inglês de maneira séria aos 15 anos. E me passo por nativo por muitas situações (hoje eu tenho 24). Sou percebido como não-nativo apenas em contextos bem específicos. E tenho amigos que começaram a estudar Mandarim Chinês depois dos 20 anos, e adquiriram uma maestria perfeita da língua após 2 ou 3 anos de estudo.

    2. Adial, nisso há vários aspectos. Primeiro: facilidade pessoal (great privilege). Segundo: Faça-se essas perguntas: Vc é uma pessoa comunicativa? Tem bom ouvido? Com quantos falares da sua língua materna já teve contato e/ou maior interação? Vc tende a absorver sotaques de outras regiões quando está em um outro estado do Brasil, por exemplo? Como foi sua aprendizagem, na infância, da língua materna? Aprendeu a ler cedo??? Enfim, cada indivíduo é único mesmo. Com suas aptidões e inaptidões mas, acredito que esses tópicos que te perguntem ajudem em algo sim. De qq forma, é um assunto de pesquisa interessante sim. Eu mesma, trabalho mais com adultos que têm dificuldades de articulação, inclusive, na língua materna. E obtenho sempre dados interessantíssimos.

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