Professores de Inglês Qualificados [Parte I]

Hoje peço licença a todos para escrever mais um daqueles textos que intrigam e irritam várias pessoas. Trata-se de algo que amigo inglês, Emmanuel A. Faigenblum, comentou por meio de email e eu senti aquela vontade louca de escrever a respeito. Após ler esse texto aqui, convido você a ler a segunda parte em Professores de Inglês Qualificados [Parte II].

O fato é o seguinte: geralmente as escolas de inglês colocam anúncios em jornais e outros veículos de comunicação solicitando que professores (altamente) capacitados enviem currículos para análise e (quem sabe) possível contratação após passar pelos trâmites (prova escrita, prova oral, treinamento, aula demonstrativa etc.). Até aí tudo bem o problema é que para esse profissional qualificado (capacitado) pagam a bagatela de R$12,00 (doze reais) a hora ou menos. Em rápida pesquisa no Twitter alguns professores me disseram que há escolas grandes em grandes cidades brasileiras pagando menos de R$10,00 (dez reais) a hora.As perguntas que surgem aqui são:

  1. Professores de Inglês Qualificados [Parte I]O que significa ser qualificado (capacitado) para essas escolas?
  2. Como eles medem a qualificação dos profissionais?
  3. Que tipo de profissionais esses cursos de idiomas contratam?
  4. Que ânimo (motivação) um professor de inglês que almeja seguir carreira na área tem recebendo R$10,00 por hora/aula?

A seguir vou comentar algumas coisas e se você é Profissional da Área de Ensino de Língua Inglesa (ELT Professional) ficarei extremamente satisfeito com seus comentários, críticas, sugestões, broncas etc. Lembre-se: o blog é seu também, portanto diga-me o que você pensa.

Para a primeira pergunta feita acima, eu acredito que para essas escolinhas de idiomas um “professor qualificado” (veja que escrevi entre aspas) deve ter o seguinte perfil:

  1. Fala inglês – o problema é que na maioria das vezes o nível desse “profissional capacitado” está abaixo do nível C1 no Common European Framework. Aliás, é bem provável que esse pessoal (escola e professor) nunca ouviu falar em Common European Framework e tantas outras coisas importantes na área de ELT;
  2. Morou em um país de língua inglesa por algum tempo – no país em que morou esse “profissional qualificado” trabalhou como zelador, carpinteiro, garçom, eletricista, ajudante de pedreiro, técnico de som, lavador de pratos, entregador de qualquer coisa etc. Ou seja, o sujeito não faz nem ideia do que seja TESOL, CELTA, DELTA, SLA, Methods and Approaches, Classroom Management, Syllabus Design, etc;
  3. Fez a provinha de professores e passou – o “profissional capacitado” foi chamado até à escola para fazer uma prova escrita (na qual ele cometeu alguns errinhos), uma prova oral (falou lá um inglês com o coordenador do curso), sorriu, foi simpático, demonstrou boa desenvoltura etc. Pronto! Ganhou a chance de fazer o treinamento.

Com relação à pergunta 2, tenho a dizer que a qualificação nestas escolas não é medida profissionalmente. Afinal, para a grande maioria dos donos de escolas de inglês curso de inglês é apenas um negócio (meio de ganhar dinheiro). Ensino de Língua Inglesa de modo Profissional não existe. A maioria das redes franqueadoras se orgulham do marketing (bem feito), das ideias de venda (baseadas em armações e muito papo de vendedor), material de excelente qualidade (papel e impressão apenas; conteúdo deixa a desejar) etc. Enfim, no quesito Desenvolvimento Pedagógico pecam grandiosamente.

Esses cursos de idiomas capengas contratam muitas vezes pessoas desesperadas para arrumar um empreguinho temporário. Logo, R$10,00 a hora está de bom tamanho. Dar aulinhas de inglês é apenas um para ganhar uma graninha até pintar um emprego sério e de verdade.

Na verdade, esses ditos “profissionais qualificados” atrapalham o desenvolvimento e capacitação de pessoas que levam a profissão de ensinar inglês à sério. As escolas se esbaldam com esses profissionais (em limpeza, som, entrega, carpintaria, eletricidade, etc). Não é preciso pagar muito; eles preferem receber uma merrequinha a ter de trabalhar com o que trabalhavam nos lá fora.

Cito aqui o que meu amigo inglês disse no email: “you pay peanuts, you get monkeys“. Ou seja, como as escolinhas pagam pouco, elas merecem ter profissionais de péssima qualidade mesmo. “Profissionais” sem compromisso com o ensino de língua (por isso, abandonam as turmas no meio do semestre), sem esperança de seguir carreira na profissão (ficar recebendo merrequinha sempre é castigo). Como esse texto tem uma sequência, você perceberá que as demais perguntas serão abordadas em outra ocasião.

Enfim, o que você pensa sobre isso? Qual a sua opinião? Deixe seu comentário abaixo e vamos trocar ideias. Por favor, nada de deixar comentários como anônimo, deixe seu nome para sabermos de de quem é a opinião. Lembre-se de ler também a segunda parte em Professores de Inglês Qualificados [Parte II].

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