Dicas Para Aprender Inglês

Por que brasileiro não aprende inglês?

Dias atrás, ao ser entrevistado por um programa de TV, o repórter perguntou: “Denilso, por que brasileiro não aprende inglês?“. Dei lá minha resposta, mas isso ficou martelando na minha cabeça! Curiosamente, dias depois, estava conversando com o amigo professor Doutor Miguel Neneve, e entramos no mesmo assunto. Assim, depois de pensar bastante e analisar alguns fatos, percebi algo interessante que compartilho neste texto.

O que todos pensam?

Muitos devem estar pensando que o problema maior está no governo brasileiro. Afinal, o sistema educacional do país é defasado. E, relacionado ao ensino de inglês, a defasagem é muito maior.

Aqui, ainda se ensina inglês do mesmo modo como era ensinado nas décadas de 1970 para trás. Outros culpam as escolas de idiomas. Pois, como dizem por aí, essas escolas estão mais interessadas em ganhar dinheiro do que ensinar inglês de verdade.

No entanto, não podemos generalizar. Há escolas de idiomas que possuem um plano pedagógico excelente. Qualificam seus professores de modo exemplar. Possuem materiais atualizados.

A verdade é que falar do governo e das escolas de idiomas virou rotina. É clichê jogar a culpa nos outros. Logo, será que não há outra resposta para a pergunta “por que brasileiro não aprende inglês?“?

Dois pontos cruciais!

Após pensar um pouco, notei que o brasileiro não aprende inglês fluente por causa dele mesmo. Ou seja, o brasileiro é o seu próprio inimigo no aprendizado de inglês. Como assim?

Não estou me referindo ao fato do brasileiro deixar para aprender inglês em cima da hora. Também não se trata do fato de que grande parte das pessoas que estuda inglês no Brasil estão à espera de um milagre: dormir hoje e acordar falando inglês amanhã. Falar da preguiça de estudar é algo que não entra aqui também. Enfim, o problema não está nessas atitudes apenas. Há ainda dois outros pontos que considero cruciais.

Como profissional na área de ensino de inglês e pesquisador, garanto a você que estes dois pontos são responsáveis também pela demora para se aprender inglês no Brasil. Estes dois pontos são:

  • Desejo incontrolável (quase doentio) de falar inglês como um falante nativo
  • Obsessão compulsiva em decorar a gramática
Por que brasileiro não aprende inglês?

A grande maioria dos brasileiros acha que aprender inglês significa aprender a falar igualzinho a um nativo. Esse comportamento gera comentários assim: “eu quero falar inglês como americano/britânico“, “o inglês aqui é americano ou britânico? Eu só quero se for britânico” e outros do tipo. 

Falar como um nativo!

Essa coisa de falar inglês como um americano não deve ser o objetivo principal de ninguém que estuda inglês. Afinal, praticamente ninguém consegue aprender a pronúncia com a mesma perfeição como alguém que nasceu ouvindo e falando a língua inglesa.

Essa coisa de redução de sotaque é interessante. Mas, não se engane! Seu sotaque é algo que está dentro de você. Portanto, por mais que você pratique, sempre haverá algo que denunciará suas origens.

A primeira versão desse texto foi escrita em 2013. Hoje – pleno 2019 – é irritante ver como a praga do fale tudo certo permeia os canais no Youtube e perfis no Instagram.

As dicas do tipo “50 palavras que você está pronunciando errado em inglês“, “Como pronunciar o TH corretamente“, “Como pronunciar world“, “5 dicas para você parecer um nativo” e besteiras do tipo mais atrapalham do que ajudam quem quer aprender inglês.

Afinal, esse tipo de coisas, aprende-se com o tempo, com exposição à língua, com dedicação. Ainda assim, pode ser que alguém por mais que tente nunca conseguira fazer o som do TH como um nativo. [Leia: Sons do TH em inglês: verdades não ditas]

Obsessão pela gramática!

Não pense que estou menosprezando o aprendizado/ensino da gramática. Não é nada disso!

O problema aqui é aquele no qual a pessoal se dedica tanto à gramática e esquece de aprender a falar. Essa síndrome da perfeição gramatical é muitas vezes notada em comentários do tipo “ele/ela não sabe nem português direito e quer aprender inglês“.

Como não sabemos português direito!? O fato de não sabermos todo o código gramatical registrados em gramáticas pedagógicas não nos torna incompetentes ao falar português. Afinal, somos capazes de bater um papo em português mesmo não sabemos todas as regras dos livros de gramática. “Nóis erra; mais nóis se comunica!“. Claro que não é bonito falar “errado”! Mas, é errando que se aprende.

E aprender é algo constante e contínuo. Ou seja, acontece ao longo da vida! O pouco que aprendemos hoje servirá de base para o pouco que aprenderemos amanhã.

Há ainda pessoas que dizem o seguinte: “só vou falar inglês quando aprender mais e estiver no nível avançado“. Eu acho isso um absurdo! Se essa lógica valesse para o português, essas pessoas só começariam a falar português quando chegassem ao Ensino Médio. E olhe lá!

Brasileiro tem traumas que outros não têm!

Para encerrar, pergunto: Você já viu um italiano falando inglês? Um coreano? Que tal um chinês? Um grego? Um boliviano? Um venezuelano? Um francês? Um alemão? Um argentino?

As pessoas de outros países que falam (aprendem) inglês estão pouco se lixando com o fato de falarem igualzinho a um nativo. Os falantes de outros países podem falar errado, mas se comunicam. A pronúncia deles não é perfeita, mas ainda assim dizem o que querem.

O TH deles sai esquisito e nem por isso se acham incapazes de falar inglês. Com o passar do tempo, eles vão aprendendo e melhorando (ou não!)

Já no Brasil, a maioria só se sente à vontade se a pronúncia for perfeita, a gramática for impecável e o sotaque for como o de um nativo.

O resto do mundo aprende a falar inglês porque não é tão exigente consigo mesmo. A cobrança pela perfeição lá fora não é doentia e exagerada como é aqui. O resto do mundo sabe que fala inglês “errado“, mas fala assim mesmo. Se a mensagem não é entendida, o resto do mundo tenta de novo. O brasileiro, no entanto, espera aprender tudo de modo perfeito para só então se soltar. E acaba desistindo no meio do caminho por achar inglês uma língua difícil.

Consequências desses problemas

Essa exigência/cobrança exagerada causa frustração, tristeza, angústia, estresse, senso de incapacidade e outros sentimentos que atrapalham a capacidade de aprender inglês.

Se você é muito exigente consigo mesmo, cuidado!

Os erros sempre acontecerão e falar como um nativo é extremamente difícil e até mesmo impossível. Lembre-se: saber inglês não significa ser perfeito e falar tudo certinho; saber inglês significa diminuir a quantidade de erros conforme vamos aprendendo.

Por fim, meu objetivo neste texto é mostrar um comportamento comum entre a maioria dos estudantes de inglês no Brasil: a exigência da perfeição. Esse comportamento acaba com os sonhos de muitos. Não pegue pesado com você mesmo e nem permita que os comentários dos outros frustrem seus planos de aprender inglês. Não seja exigente demais na gramática e pronúncia e nem queira falar inglês como um nativo fala. Vá com calma! That’s it!

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aprender inglês sozinho dicas para professores de inglês

80 Comentários

  1. Você tem toda a razão. Eu não sei porque temos essa exigência internalizada lá no fundo da nossa cabeça. É difícil acabar com ela e realmente é o que nos atrasa na comunicação em língua inglesa. Eu tenho esse problema, tento acabar com ele mas é difícil, Denilso.

  2. Muito bom! O meu medo sempre foi falar errado e me forçava a fazer tudo certinho e eu tentava decorar gramática, mas se eu não praticar .. não conseguirei, então eu irei falar mesmo errando ou não, porque errando é que se aprende ;D Mas confesso que tenho muita vergonha de errar haha Não precisamos se preocupar tanto em falar certo.. nós acabamos aprendendo naturalmente..

  3. Parabéns Denilso, excelente artigo.

    No começo dessa semana comecei a praticar algumas coisa que você escreveu sobre o medo de falar. E realmente isso faz uma diferença, se sempre tentamos falar certo nosso aprendizado acaba sendo mais lento e até mesmo duvidoso.

    Quando aprendemos com os nossos erros dificilmente vamos errado novamente. E incrível isso em menos de uma semana tentando falar mesmo que errado em vários momentos aprendi mas, do que uma semana tentando falar certo, acho que todos nos devemos fazer um teste e acredito que ninguém vai se arrepender.

    That’s it!

  4. Sensacional, Denilso. Indico abaixo um ótimo site onde pessoas ao redor do mundo tentam falar inglês sem medo de ser feliz. Tentam não, eles falam. Isso é o que importa: falar!
    https://www.verbling.com/

  5. Muito bem, Denilson, eu tb tinha o msm sentimento e depois de ter contato com o blog, comecei a mudar o meu comportamento, pois como vc diz “é errando que se aprende”.

  6. Eu percebi que quando sentimos a pressão de falar “perfeitamente o Inglês”, isso acontece não porque temos medo de falar com um nativo, mas porque temos medo de falar com alguém da nossa própria língua; tais pessoas são mais exigentes que um nativo, pois, o nativo não fica observando se você fala como ele, pelo contrario ele nos incentiva.Gostei da matéria. É uma excelente reflexão para nós que decidimos trilhar esse caminho!

    1. Gabriele,

      O que você diz é uma grande verdade. Os brasileiros têm o triste hábito de avaliar e julgar os outros. Isso não é apenas no que diz respeito à língua inglesa, mas como o assunto aqui é inglês, temos de nos manter ao tema.

      Em escolas de inglês, muitas vezes os professores têm medo, vergonha, receio, etc., de falar inglês com os demais colegas pelo simples fato de serem julgados pelos outros. Isso é o que chamo de exigência exacerbada.

      O policiamento interno e o receio do externo fazem com que as pessoas travem. Esse policiamento aumenta quando conversamos com brasileiros. Já ao batermos papo com um nativo a coisa muda: comunicação é mais importante do que ficar atento a erros próprios e alheios.

      Enfim, temos de dar um jeito de mostrar isso às pessoas (estudantes de inglês) e assim começarmos a fazer a diferença. 🙂

      Take care!

  7. Olá Denilso!!! Concordo quando você diz que brasileiro é muito exigente consigo na hora de aprender o inglês e que sentimos muito medo de falar errado, o que acaba, de certa forma, travando o aprendizado. Porém discordo desse ser o principal motivo. Pra mim o principal motivo está na política adotada pelas escolas de idiomas tradicionais,e consequentemente a única alternativa para pessoas que moram em cidades do interior. Quando uma pessoa quer ou precisa aprender inglês e recorre às escolas de idiomas, é desanimador saber que o curso dura em média 6-7 anos. Acho isso um absurdo. Eu fiz uma faculdade em menos tempo. Essa política de 2 aulas semanais está completamente desalinhada com a realidade dos dias de hoje. Antigamente se justificava pelo fato da procura ser muito menor, logo as escolas tentavam manter o aluno o máximo de tempo possível matriculado na escola. Mas hoje a demanda é muito maior, porém, muitas pessoas desistem no meio do curso ou até mesmo nem começam por esse prazo ser tão longo. Acredito que o aprendizado de uma língua dura uma vida inteira. Você sempre tem o que aprender, mas, pra mim, o que essas escolas se propõem a ensinar poderia ser passado em 1/3 do tempo.

  8. Na semana passada tivemos a mesma discussão num dos artigos do English Experts. A frase “primeiro temos que aprender português perfeito para depois estudar outros idiomas” é muito utilizada.

    Cheguei à seguinte conclusão: não é necessário falar perfeitamente, temos que conhecer o básico para a comunicação. E, por que não, aprender e evoluir em vários idiomas ao mesmo tempo?

    Parabéns pelo post!

    1. Thanks, Alessandro, pelo comentário.

      Confesso a você que odeio essa coisa de “primeiro temos de aprender português perfeito para depois estudar outros idiomas”.

      Isso para mim cheira a arrogância misturada com mediocridade. Aprender idiomas nada tem a ver com falar uma língua perfeitamente bem. Afinal, quando aprendemos português não sabíamos língua nenhuma. Ou seja, o processo foi acontecendo aos poucos.

      O mesmo vale para qualquer língua. Começamos aos poucos, errando, esquecendo, reaprendendo, relembrando, etc. Infelizmente, as pessoas são tão aprisionadas às tradições de antigos métodos e abordagens que não percebem o quanto isso faz mal e o quanto impede o aprendizado mais dinâmico e divertido.

      Quem sabe um dia, isso não muda e as pessoas se libertem dessas concepções erradas. Para isso, os profissionais da área de ensino de língua inglesa terão de rever seus conceitos para ajudar os aprendizes de forma mais eficaz. A gente chega lá!

      Take care! 🙂

  9. Oi Larissa,

    Muito obrigado por seu comentário aqui. Adorei suas considerações. Elas reforçam algo que Miguel e eu conversamos a respeito: a concepção colonizada de se submeter ao “superior”. Profissionais como nós devemos nos juntar para tirar essa ideia ridícula da cabeça das pessoas. Como você bem disse a língua deve ser encarada como uma ferramenta de comunicação e não como um item diferenciador nas relações sociais. No dia que as pessoas perceberem isso, tanto o ensino quanto o aprendizado de línguas por aqui será muito mais prazeroso e significativo para todos.

    Take care! 🙂

    1. Nossa. Ótimo artigo Denilson!

      Ótimo comentário Larissa!

      Eu sou um mero iniciante, mas é exatamente a forma que penso.

      O mais importante no primeiro momento é conseguir estabelecer uma comunicação, depois aprimorar os pontos necessários.

      Eu jogo um game online europeu, a língua inglesa é a forma de comunicação mais usada, então lá você vê italiano, russo, romenos, noruegueses, turcos, etc.. ah franceses (odeiam língua inglesa)… é legal que eles(eu tbm) tentam, erram, mas conseguem se comunicar.. e eu acabei perdendo a vergonha também, mando logo, “sup guys? I speak english more less, but its my swag =p i’ll improve step by step”

  10. Muito animador esse post. Estou no nível Basic II e me comunico com o que aprendi até agora. Meu pote de gramatica e vocabulário estão bem baixos ainda, mas já consigo expressar algumas ideias. Isso é muito importante porque vou treinando a cada dia. Com o tempo meu pote vai encher e eu vou estar mais seguro. Mas para isso eu leio diversos textos com áudio, procuro ouvir os nativos para perceber como eles pronunciam as palavras. O negócio é estudar todos os dias, um degrau após o outro. Revisar matérias, não depender só do professor é muito importante.

  11. Olá
    Denilso,

    Artigo interessante. Você abordou áspectos interessantes desta questão. Realmente a exigência de perfeição pode ser um entrave. Na minha opinião, a pergunta certa seria “Porque certas pessoas não aprendem inglês?” Eu sou professor de inglês há 23 anos e responderia baseado no que tenho visto. Eu diria que existem vários motivos para tal. Eis alguns

    1. Muitas pessoas querem atalhos. Não se acham dispostas a dedicar pelo menos cinco anos para aprender bem a língua. Porque em média este é o tempo que se gasta com uma carga horária de de duas aulas por semana. Aprendizado é coisa que leva tempo.Estas mesmas pessoas são muitas vezes as que se matriculam em cursos que prometem o milagre de ensinar a falar inglês em 18 meses. Estes alunos desistem e acham que eles é que falharam. Uma carga semanal maior, acelaria o aprendizado, mas exigiria uma carga de dedicação a tarefas e prática fora de sala que o aluno muitas vezes não está disposto a fazer por questão de tempo ou vontade.

    2. Muitas pessoas não se dedicam a fazer tarefas de casa e estudar em casa para complementar o aprendizado. Vejo muitas pessoas que só se matriculam no curso de inglês, não fazem tarefas e ficam falando português e traduzindo tudo em sala de aula.

    3. Muitas pessoas (principalmente adultos) têm o hábito de traduzir tudo. Se não traduzirem, acham que não vão entender. Pessoas que têm esse hábito são lentas e raramente adquirem domínio da língua.

    Agora, como você, já me perguntei quando encontrei estrangeiros que falavam inglês bem apenas frequentando suas escolas regulares:
    “Porque não se aprende inglês no Brasil no ensino regular? Porque se precisa ir para uma escola de idiomas?” (A próposito, existem excelentes escolas de idiomas no Brasil e eu conheço centenas e talvez milhares de pessoas que falam inglês muito bem sem sair do pais. A maioria dos professores de inglês em escolas de idiomas são extremamente qualificados. Pessoas que investiram tempo em aprender o idioma em
    escolas assim. Agora, existem as laranjas podres neste setor, também. Escolas de idiomas que prometem milagres). Voltando à questão do Brazil, acho que nossa estrutura educacional é parte do problema. A carga horária dedicada ao ensino de inglês não é suficiente. As salas têm um
    número muito grande de alunos e estes têm níveis differentes de domínio da língua. Embora nas universidades (cursos de letras) os professores sejam expostos a metodologias e técnicas modernas de ensino, quando vão para as salas de aula recorrem ao recurso fácil da tradução. Com relação ao ensino de inglês na universidade, sei que muitas vezes não prepara professores como devia. Muitos professores formados em letras não têm domínio suficiente do idioma. E isso reflete na maneira que a língua é ensinada nas nossas escolas.

    Muito interessante essa questão. Espero que tenha contribuído um pouco para elucidar os fatos.

    Abraços

  12. Eu fiz intercambio na Austria e o pré-requisito de linguas era ingles pois as aulas eram em ingles (embora a lingua oficial seja alemao).

    Eu morei em um student dorm com pessoas do mundo todo e posso dizer que o que realmente importa é se entender.

    Eu percebia que gente nova chegava sempre com um nivel ruim e ao longo do tempo ia melhorando, mas nunca deixava de falar.

    Eu ja falava bem, durante a universidade trabalhava como interprete nas conferencias internacionais que minha universidade organizava, mas posso dizer que tb melhorei questoes como proncia e sotaque, bem como aumentei o vocabulario.

    Agora o que me motivou a escrever aqui: hj eu moro definitivamente na Austria e a luta é pra aprender o alemao, e uma situacao muito parecida com a do ingles no Brasil se passa com o alemao aqui em torno da comunidade internacional.

    Embora os locais incentivem aprender/falar/ler/comunicar e com eles as conversas fluam, quando se fala perto de qqr internacional aprendendo alemao é a mesma sensacao que a pessoa nem escuta o que estas falando mas sim como estas falando e onde estas errando!

    Creio que isso nao é coisa de brasileiro mas sim do ser humano.. Todo mundo se compara e quando tem alguem possivelmente melhor isso representa uma “ameaca” e a reacao é tentar provar que o outro é pior!

    Pra ajudar a complicar, todo mundo aqui (nativos) fala ingles e nao se importa em usar ingles ao inves de alemao, pois sabem que sua lingua é complicada, entao ninguem que saiba ingles e nao saiba alemao é forcado a aprender. A maioria da comunidade internacional é temporaria, de 6 meses a 5 anos, e quase todos passam esse periodo aprendendo so como se diz “por favor” e “obrigado”.

    O mesmo se passa no Brasil: nosso pais de dimensoes continentais nao requer ingles no dia-a-dia e raramente requer exporadicamente, logo ngm tem um motivador forte.

    Quando perguntei pra austriacos e alemaes como eles aprendem ingles tao bem a resposta foi: “- A gnt sabe que precisa se comunicar quando sai de ferias!”. Enough said!

  13. Excelente artigo e importante reflexão, Denilson. Além dos fatores citados por você, com os quais concordo plenamente, vale ressaltar que o brasileiro médio (ou aquele que tem dificuldade para aprender inglês) muitas vezes não possui o hábito de ler, o que dificulta o processo. Da mesma forma, existe uma cultura no Brasil de ‘dar um jeitinho’, ou seja.. uma solução rápida e simples, com o mínimo de esforço dispendido pelo indivíduo, e muitos tentam aplicar isso à aprendizagem do idioma. Infelizmente, aprender uma outra língua existe trabalho, dedicação, estudo, e afinco. Tirando esta questão da pronúncia ou da ‘perfeição’ (que obviamente não existe!!)… ainda acho que muitos brasileiros não acordaram para a importância do inglês para sua própria inclusão social, acesso a oportunidades, informações, redes de contatos etc… somente quando houver um despertar para as oportunidades sendo perdidas é que o aluno passará a investir o esforço necessário para aprender a falar suficientemente bem o idioma para cumprir seus objetivos, sejam quais forem.

    Parabéns mais uma vez pelo excelente artigo.

    Graeme (www.graemespot.blogspot.com)

  14. Uma pesquisa recente explica que uma das grandes dificuldades que o povo brasileiro tem ao tentar aprender Inglês é o analfabetismo funcional. O brasileiro comum tem dificuldades em entender um texto em Português, pois não aprendeu a interpretar um texto. O brasileiro tem dificuldade de se expressar em Português (seja falar ou escrever), pela falta do hábito da leitura. Imagina em Inglês! Nesse ponto, nossa vizinha Argentina está muito à nossa frente. É também uma questão de educação de base.

    Para aqueles que tiveram melhor educação e lutam para aprender o Inglês, creio que o que falta é dedicação. Depois que passei a ouvir o Inglês TODOS OS DIAS (podcasts, video aulas, filmes, séries) a velocidade com que minha habilidade de “listening/speaking” se desenvolveu foi espantosa. Não falo como um nativo e sei que nunca vou falar. Mas entendo muito bem o Inglês (mais de 90% do que ouço) e consigo me comunicar razoavelmente (graças ao listening). Uma coisa que ainda tenho dificuldades é com os phrasal verbs. Entendo quase todos no contexto, mas ainda tenho dificuldades de usá-los na hora de falar (insegurança, medo de falar uma besteira). Abr. Fábio.

  15. Sim, Maria! Concordo com você! A cobrança não é o único fator. Mas, quando aliado à preguiça de praticar – algo extremamente notável na maioria dos que “querem” aprender inglês – a coisa complica ainda mais! rsrsrsrs

  16. That’s the thing, Vera! Learners shouldn’t be afraid of taking risk at using what they already know.

    🙂

  17. Estou no Reino Unido agora (por isso desculpem a falta de acentuacao), e o que observo eh que, pelos paises serem muito proximos aqui, e com altas taxas de turismo, os cidadaos da Italia, Holanda, Franca, etc, veem uma necessidade real de aprender a lingua. Enquanto isso, no Brasil, envolto por uma comunidade de lingua castelhana, aprendemos ingles por anos a fio apenas com uma promessa de que `isso sera muito importante no futuro, no trabalho`, e isso tambem pode ser muito desmotivador para criancas e adolescentes que nao conseguem enxergar essa necessidade. Obvio que o texto retrata outro ponto importante, mas essa proximidade com paises falantes da lingua considero agora um ponto primordial.

  18. Olá, Isabela! Por isso que eu digo no texto que falar sobre essas coisas aí já virou rotina. Ou seja, trata-se de algo que todo mundo já sabe! Mas, quando o estudante dá a sorte de estar com um excelente professor, uma boa escola, uma boa orientação, etc., ele acaba cometendo os erros novos que mencionei. O curioso é que esse indivíduo se trava por conta própria e sai falando que a culpa é do professor, da escola, do sistema, etc. Enfim, tudo e todos se misturam nos dando os resultados que temos atualmente. 🙂

  19. Felipe, eu não tenho nada contra a pessoa querer ser perfeito na gramática e na pronúncia. Mas, há pessoas – praticamente a grande maioria – que levam isso ao extremo.

    Por exemplo, a gramática diz que o certo é dizer “do you like apples?”; mas, no dia a dia o nativo poderá dizer “you like apples?”. Tem brasileiro que pira com isso e acha que inglês é complicado só por causa disso. Imagine quando eles encontram nativos – mesmo aqueles com nível universitário – que dizem coisas como “there is two books on the shelf”. Enfim, as pessoas precisam entender que o uso da língua não é só aquele dos livros de gramática.

    Em relação à pronúncia, me irrita ver pessoas querendo a todo custo aprender o som do TH como se isso fosse a única coisa a ser aprendida em inglês. Um dia eles aprenderão que o TH está mudando no mundo da língua inglesa e o tão temido som que não conseguem fazer está se perdendo. Então, qual a razão de ser perfeito nisso?

    Repito: não tenha nada contra quem quer aprender isso. Mas, as pessoas não podem se prender apenas a isso e achar que a língua inglesa como um todo fica só na gramática e na pronúncia perfeita. Há muito mais o que aprender! 🙂

  20. Oi, Aldeneide. Acho que não é o caso. Eu tenho estudado inglês por algum tempo, mas o processo é lento. Talvez essa sua “trava psicologica” esteja sendo causado pelo fato de você está usando um material muito complicado pra você. Veja o aprendizado como um vide-game, onde você só passa de nível quando completa o anterior. Não adianta querer enfrentar o chefão de cara. 😉
    Ouça podcasts, prefira material que seja mais curto e ouça ao mesmo material muitas vezes para fixar o vocabulário. Conforme você fizer isso, você irá se sentir mais confortável com as estruturas.
    O nosso cérebro é incrível, mas é necessário que você entenda o que está ouvindo, se não você não “absorve”. 😀
    Boa sorte!

  21. Oi, Aldeneide. Eu tenho aprendido ingles sozinho tbm, o que não é um feito nem perto de ser tão estraordinário quanto foi para o Machado de Assis, que viveu em uma época com tão pouca troca de informação comparada a hoje, mas posso dividir com vc o que eu tenho feito, o método que eu criei pra mim mesmo e que tem me ajudado bastante.

    – Ouça ingles pelo menos 30 minutos por dia todos os dias mesmo que vc não esteja entendendo nada

    – Prefira assistir filmes e seriados com legenda em ingles e não portugues (mesmo que antes vc tenha assistido com legenda em portugues)

    – Leia livros em ingles, mas em que ser de algum assunto do seu interesse. Algo que vc goste tanto, que até esqueça de prestar atenção em que língua está escrito.

    – Pegar trechos de filmes/séries, ouvir esse trecho repetidas vezes e tentar repetir o que o ator falou o mais perfeitamente possível. Fique o tempo que for necessário em casa fala até conseguir falar perfeitamente. É difícil no começo, mas é um desafio interessante e logo vc consegue. Esse exercício eu inventei pra mim mesmo e foi o que finalmente me ajudou a entender e falar com uma certa fluência.

    – A gramática é importantíssima. Tem quem diga qu pra vc aprender bem vc não pode estudar gramática, mas na minha opinião não é bem assim. Pode ser ineficiente vc ficar somente em gramática ou ficar fazendo exercícios mais focados nos termos técnicos do que na prática mesmo, mas isso não significa que a gramática não deve ser nunca estudada. Eu tenho uma indicação ótima de coleção de livro que ensina gramática com epxplicações breves e vários exercícios intuitivos pedagogicamente muito bem feitos que vc aprende sem nem perceber e assim ganha confiança pra usar a língua. O nome é Grammarway. Tem 4 volumes. Vc provavelmente já poderia começar no volume 3, pelo que vc falou.

    – Por fim, uma coisa muito importante é como vc encara esse processo de aprendizagem. Uma língua não é uma habilidade única, é um conjunto de habilidades que resulta em um todo. Não tem como aprender usando só uma fonte. Não adianta estudar só pronúncia, só gramática, só vocabulário, vc precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Ou pelo menos na mesma semana. Crie uma rotina de estudos que vc divida sua semana com essas atividades todas. E não fica com pressa de aprender. Se vc treinar todos os dias, logo vc vai naturalmente aprender e vai se surpreender quando perceber que aquele monte de sons sem sentido finalmente começam a se transformar em palavras. Lingua é treinamento, como se fosse um músculo. A ansiedade só atrapalha.

  22. Sara, obrigado sua visita e comentário. Sua pergunta já foi amplamente respondida e discutida aqui no site e no Facebook. Então, vamos lá!

    Há várias dicas espalhadas pelo site que são em inglês. Mas, infelizmente, a maoiria das dicas são em português. Há uma razão para isso!

    O público alvo do site é o público que procura por dicas de inglês em português. Ou seja, o público alvo é o público que fala português e que está aprendendo inglês. Logo, esse público certamente não entenderá todas as dicas dadas aqui se elas forem publicadas em inglês.

    Enfim, como dar dicas de inglês escritas em inglês via internet para o público falante de português, se a maoiria não sabe inglês e se a a maioria pesquisa por dicas em português?

    No passado, eu tentei mudar isso. Passei uma semana escrevendo dicas em inglês, mas as reclamações foram várias. Então, decidi fazer uma pesquisa. O resultado: 82% dos leitores optou por continuar com as dicas do jeito que são publicadas.

    As grandes editora hoje (Cambridge, Oxford, Pearson, MacMillan, etc.) procuram seguir a mesma ideia. Isto é, publicar material de inglês com explicações em português para facilitar o aprendizado. Essa corrente de pensamento é uma corrente que já existia nas décadas de 1960 e 1970 pelos pensadores da famosa Abordagem Comunicativa quando ela começou a ser concebida. Portanto, há respaldo teórico dentro da Linguística Aplicada.

    Mas, como eu disse no começo, há aqui no site inúmeras dicas escritas em inglês (textos para interpretação, textos para listening, podcasts e muitos outros). Das mais de 1600 dicas publicadas aqui, eu diria que cerca de 400 estão em inglês e, vira e mexe, eu publico uma dica em inglês de minha própria autoria ou dos “gringos” que escrevem para o site.

    Portanto, há conteúdo para todos. No entanto, o maior conteúdo é para aquele público que precisa de dicas descomplicadas e simples para entender o conteúdo dos cursos de inglês onde estudam ou dos materiais que usam para estudar.

    Ufa! Escrevi demais! Qualquer coisa, estou por aqui! 😉

  23. Olá,

    Gostei do seu texto e gostaria de acrescentar algo que o brasileiro faz e que não o ajuda muito no aprendizado de um idioma:

    A pessoa encara o aprendizado do idioma como encara o aprendizado de uma matéria escolar como a Geografia ou a História. Ele vai a uma aula e ouve o professor, faz sua tarefa, lê um ou outro artigo e volta em dois dias.

    E esta forma de levar o aprendizado de um idioma é extremamente errado, ainda mais para quem quer aprender a se comunicar. Ele não conversa com seu colega de curso, ou com outra pessoa que já é fluente, evita lugares e até ler notícias em inglês, assiste filmes mas com legendas, etc.

    É preciso aprender a aprender a falar um idioma e isso, infelizmente, a maioria dos brasileiros não tem se quer um pingo de noção.

    1. Acredito que o maior problema é exatamente esse.

      O brasileiro pensa que inglês só serve para conseguir um “bom emprego”.

      Por essa “lógica”, eu que sou empresário não deveria falar nada de inglês KKKKK

      Isso é uma forma de burrice, não falta de QI, mas burrice do mesmo jeito.