Qual é o passado de TEACH?

Recentemente, ao ouvir uma rádio, escutei o entrevistado – americano por volta dos 35-40 anos de idade – dizer o seguinte: “My daddy teached me all this” (Meu pai me ensinou tudo isso). 

Se você estuda inglês já algum tempo e está por dentro dos verbos irregulares, sabe que o gringo errou. Afinal, todo mundo aprende logo cedo que a forma correta de TEACH no passado (past simple) é TAUGHT. Logo, o correto seria o entrevistado dizer “My daddy TAUGHT me all this“.

Pronto! Problema resolvido! Afinal o passado de TEACH é TAUGHT e não se fala mais nisso.

Mas, calma aí! Por que um falante nativo do inglês disse TEACHED e não TAUGHT?

Qual é o passado de TEACH?

Pode parecer estranho, mas você sabia quem em inglês há locais onde as pessoas realmente falam e escrevem TEACHED? Ou seja, para essas pessoas essa é a forma regular e normal para o passado e past participle de TEACH?

O Oxford English Dictionary (2ª edição) há inclusive uma nota sobre TEACHED. Nessa nota lemos o seguinte:

A normalized form teached … has been in partial use since the 14th c., but is not now accepted in educated speech.

O Passado de TEACH

Ou seja, TEACHED existe (em algumas partes) desde o século 14, mas hoje em dia ela não é aceita no inglês padrão (educated speech). Portanto, não se assuste se você encontrar algum falante nativo de inglês por aí dizendo TEACHED ao invés de TAUGHT.

Há outras formas?

Sim! Há outras formas!

Por exemplo, a pronúncia do -ed em TEACHED é com som de /t/. Assim, na escrita é possível encontrarmos TEACHT.

Para o past participle, é também possível encontrarmos pessoas falando ou escrevendo TAUGHTEN.

E além disso tudo, há pessoas que usam TEACH tanto para o passado quanto para o presente. Mas, vale lembrar que isso aí é muito mais raro do que as formas citadas anteriormente.

Tá! Mas, e daí!?

Qual a vantagem em saber disso?

Do ponto de vista do ensino e aprendizado da língua padrão, nenhuma! Afinal, todos nós temos de ficarmos com a forma TAUGHT que é a forma aceita como correta pelos dicionários, livros, jornais, etc.

Trata-se apenas de uma curiosidade linguística para ajudar você a entender que se os falantes nativos tem uma forma diferente do padrão para dizer isso, então você também pode “errar” de vez em quando sem problemas.

Afinal, com o tempo você aprenderá naturalmente qual é forma padrão e, portanto, deixará de “errar”.

I know what I teached you here is not interesting. So, wait for the next piece of information I have to share. Take care and keep learning!

O que é inglês britânico?

Você já parou para pensar o que é inglês britânico? Quando alguém diz que prefere o inglês britânico o que exatamente essa pessoa quer dizer com isso? Como definimos o inglês britânico? Afinal, o que é inglês britânico?

Continue lendo para desaprender o que você talvez acha que sabe sobre inglês britânico.

O Mito do Inglês Britânico

Quando alguém fala “inglês britânico” a ideia que vem à cabeça da grande maioria das pessoas é que se trata do inglês falado na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda. Outros também listam Austrália, Canadá, África do Sul, Índia e outros países que, no passado, foram colonizados pela coroa britânica.

Fazer essa relação é um grande erro. Afinal, o inglês britânico não pertence a esses países. Na verdade, no círculo científico, a gente diz que o inglês britânico nem existe. Ou seja, inglês britânico é algo que colocaram na cabeça das pessoas! Logo, não pode ser relacionado a um país ou outro.

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Inglês Britânico e Received Pronuncation

É comum as pessoas associarem o inglês britânico à variante conhecida como Received Pronunciation (RP). Infelizmente, essa relação sinônima não deve ser tida como uma verdade absoluta; pois, RP é apenas uma das inúmeras variantes do inglês britânico.

O termo Received Pronunciation foi usado pela primeira vez como sinônimo de inglês britânico padrão em 1926 na segunda edição do English Pronouncing Dictionary, compilado pelo foneticista londrino Daniel Jones. Na primeira edição, em 1917, ele havia usado o termo Public School Pronunciation. Já na segunda, achou melhor mudar.

A RP era o inglês usado no sistema educacional de todo o Reino Unido. Vale dizer que o termo “received” aqui significa “aprovado”, “aceito”. Essa era então a variante usada formalmente nos órgãos públicos, nas relações comerciais, nos documentos oficiais etc. Era o inglês correto, bonito, bem falado, puro, aprovado, aceito como padrão.

Se essa era a variante ensinada no sistema educacional britânico, o mundo de ensino de língua inglesa também a usaria. Os materiais de ensino eram produzidos no Reino Unido e os professores nativos eram os melhores para ensinar a língua pelo mundo. Foi assim que o RP ganhou força e fama. Essa variante era a cara do inglês britânico formal. Logo, era o inglês a ser ensinado a todo mundo no mundo todo.

Foi assim que a Received Pronunciation ficou conhecida como sinônimo de “inglês britânico”. Foi assim também que o inglês britânico ganhou fama de ser mais bonito, mais puro, mais limpo, mas perfeito, mais correto, mais sem gírias e vícios que o inglês americano e outras variantes.

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Received Pronunciation: críticas

Atualmente, os linguistas e foneticistas dizem que a Received Pronunciation é coisa do passado. Não totalmente do passado; mas, uma variante do inglês que não mais satisfaz os anseios de um modelo padrão da língua inglesa.

Por quê?

Para boa parte dos falantes de inglês, a Received Pronuncation é considerada um tipo de inglês usado apenas por gente metida a besta, gente de nariz empinado, gente cheia de frescuras. Dá até para dizer que rola um certo preconceito com quem usa a Received Pronunciation o tempo todo.

Um bom número de linguista concorda com essa avaliação popular da Received Pronunciation. Alguns dizem que essa variante é característica dos indivíduos de classe alta do século vinte. Portanto, não é mais tão bem aceita nos dias de hoje.

Outros linguistas atualmente chamam essa variante de BBC Pronunciation. Pois, é a variante usada pelos apresentadores da maior emissora de rádio e televisão do Reino Unido: a BBC (British Broadcasting Company).

Tem ainda alguns que preferem usar o nome Oxford English. Devido ao fato de ser o inglês característico do pessoal que passa pela Oxford University. Já outros preferem chamar apenas de General English ou Standard British English. Tem também o termo Non-Regional Pronunciation para dizer que se trata de uma variante sem marcações típicas de uma região ou outra.

Enfim, o fato é que o termo Received Pronunciation tem conquistado novos rumos dentro da linguística e consequentemente do mundo de ensino de língua inglesa. Hoje em dia, os livros mantêm um padrão; mas, já são bem mais abertos para as diferenças regionais e até as mencionam em suas páginas.

Outros Tipos de Inglês Britânico

O que é Inglês BritânicoAcima enfatizamos a Received Pronunciation por ser a variante que muitos consideram ser o inglês britânico propriamente dito. Vale repetir que essa coisa de inglês britânico único, verdadeiro e absoluto não existe da forma como gostaríamos que existisse. Afinal, há dentro do Reino Unido muitas outras variantes.

Quando falamos de “inglês britânico” temos de entender que o Reino Unido é formado por quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Cada um desses países possui vários sotaques (variantes) da língua inglesa.

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Na Inglaterra as variantes podem mudar de uma cidade para outra. Às vezes, até mesmo dentro de uma única cidade podemos nos deparar com variantes diferentes. Assim, no norte da Inglaterra encontramos as variantes conhecidas como Cheshire, Lancastrian, Scouse, Pitmatic, Cumbrian, Mackem, Mancunian e outras. No sul, temos Received Pronunciation, Cockney, Estuary, Kentish, Multicultural London, Sussex etc.

Na Escócia, podemos dividir o inglês falado por lá em Insular Scots, Northern Scots, Central Scots e Southern Scots. Sendo que dentro dessas divisões há ainda as subdivisões. O mesmo vale para o País de Gales e a Irlanda do Norte.

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Quais são as diferenças?

Essas variantes geralmente apresentam diferenças no modo como um som é pronunciado. Claro que há também diferenças em palavras, expressões, gírias etc. Há ainda – em menor número – diferenças na estrutura gramatical. Mas, geralmente as diferenças estão mesmo nos sons (pronúncia e sotaque).

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Uma exemplo aqui é o som do /r/ em “car”. Muitos acham que o som puxado do “r” em “car” é característico do inglês americano. Mas, é bom saber que no Reino Unido há vários locais onde o /r/ em “car”, “heart”, “door”, “there” é pronunciado da mesma forma como no inglês americano.

Outro som tido como exclusivamente americano é o som do /t/ em “gotta”, que vira um “r” como em “agora” no português. Anote aí que é possível encontrar muitos britânicos fazendo a mesma coisa.

No vídeo abaixo, você poderá ouvir a inglesa Siobhan Thompson, do canal Anglophenia, aprensentando 17 sotaques britânicos de forma bem divertida. Assista ao vídeo e deixe um comentário no final deste texto dizendo qual sotaque (variante) você achou mais fácil.

Conclusão

E assim você acaba descobrindo que essa coisa de “inglês britânico” é uma grande confusão e mesmo uma ilusão. Tecnicamente falando, o inglês britânico absoluto e imperioso não existe.

Sua pergunta neste momento talvez seja: Como aprender o inglês britânico?

Eu aconselho você a se envolver com a língua de modo natural. Ouça. Leia. Escreva. Estude. Mantenha o foco no inglês padrão. Pode até ser a Received Pronunciation. Mas, com o passar do tempo, observe as diferenças e fique com aquele com o qual você mais achar bonito e fácil para você.

No mapa que ilustra esse texto (ver acima), você nota que a variante conhecida como BBC Pronunciation é a mais predominante no Reino Unido. Portanto, trata-se da variante que todos entendem. Logo, não tenha medo de aprendê-la! No entanto, esteja preparado para acostumar os ouvidos às demais variantes e assim viver a diversidade maravilhosa do não existente inglês britânico.

Isso é tudo por enquanto! Até a próxima! Ah! Leia as demais dicas recomendadas no texto. Você perceberá que a língua inglesa é muito mais rica em variantes do que você consegue imaginar. 😉

Inglês Australiano: Características e Curiosidades

Nos últimos anos as agências de intercâmbio informam que a busca pela Austrália tem aumentado consideravelmente. As pessoas finalmente descobriram outro país para aprender ou praticar inglês. As condições climáticas parecidas com a do Brasil, o dólar, a hospitalidade e mais uma série de fatores contribuíram por essa descoberta da Austrália como opção para estudos de inglês.

Mas, o que será que o inglês australiano que os demais não têm? Quais as diferenças quando comparadas com o inglês americano e britânico? Quais as características gramaticais e de pronúncia? Palavra, expressões, gírias? Enfim, o que que o inglês australiano tem? Vamos aprender um pouco a respeito na dica de hoje.

Muita gente acha que o inglês falado na Austrália é semelhante ao inglês britânico. Afinal, foi o James Cook, capitão na Real Marinha Britânica, quem reivindicou o território australiano para o império britânico em 1770. Foi ele também o responsável pelo processo de colonização da terra nova. Vale dizer que a Austrália no início de sua colonização era um colônia penal. Enfim, embora a predominância britânica em termos linguísticos fosse forte no início, já em 1788 algumas diferenças começaram a surgir. Em 1820, o inglês falado na Austrália foi reconhecido como sendo diferente do inglês britânico.

Inglês AustralianoEssas diferenças surgiram devido à mistura dos aborígenes, os índios que já estavam lá,  e dos ingleses ( e outros parceiros da coroa britânica), que foram chegando aos poucos. Essa mistura linguística deu à língua inglesa o termo “kangaroo”. Reza a lenda que “gangurru”, palavra da língua falada pelos nativos da Austrália, significa “eu não te entendo”. John Cook ao ver os animais perguntava aos aborígenes “what animal is that?” e os aborígenes respondiam “gangurru”. Cook, um cara esperto, achou que aquele era o nome do animal e registrou “kangaroo” em suas anotações. Ou seja, até hoje não sabemos ao certo qual o nome original do animal!

Fatos históricos à parte, é bom saber que devido às várias influências, o inglês australiano se distingue das demais variantes do inglês na pronúncia, principalmente na pronúncia das vogais. Felizmente, essas diferenças vocálicas não são assim tão notáveis para quem não é falante nativo da língua inglesa. Em outras palavras, somente sendo um linguista devotado à fonética e fonologia para perceber as diferenças. Porém, a produção de alguns sons são sim perceptíveis. Um desses é até famoso em piadas e brincadeiras. continue lendo e veja que som é esse.

Em algumas palavras o som /ei/ é pronunciado /ai/ no inglês australiano. Assim, a palavra “day” é pronunciada /dai/ e não /dei/ como na maioria das outras variantes. Consequentemente, a palavra “yesterday” é pronunciada /iesterdai/; “mate” (amigo, cara, parceiro) é pronunciada /mait/; “fate” soa /fait/. Para dizer “good day, mate” (bom dia, parceiro) a pronúncia será algo como “good eye might”.

O sotaque australiano também é bem diferente. A única maneira de aprendê-lo ou pelo menos percebê-lo é ouvindo o máximo que puder e envolvendo-se com os locais. Há no Youtube inúmeros vídeos de pessoas falando inglês australiano. Tem também vídeos de pessoas tentando fazer o sotaque australiano. Mas, cuidado! Nos comentários feitos a esses vídeos, os próprios australianos dizem que não é nada parecido; pois, eles não falam como o Crocodilo Dundee e a maioria das pessoas que tenta imitar o sotaque australiano está na verdade descrevendo o que eles chamam de “bogan”.

Inglês AustralianoO termo “bogan” é uma gíria, cujo significado é “pessoa que não faz nada da vida e só pensa em bebidas”. Falando em gírias, é bom saber também que o inglês australiano tem gírias que só eles entendem: “ankle biter” (child), “brekkie” (breakfast), “roo” (kangaroo), “servo” (gas station), “unit” (apartment). Para aprender mais gírias australianas, visite os sites abaixo. Porém, lembre-se que gírias só devem ser usadas quando você já tem mais intimidade com o grupo. Ou seja, não use gírias em todas e quaisquer situações.

Além das gírias, o inglês australiano também usa palavras diferentes para descrever objetos. No vídeo abaixo, um australiano fala sobre algumas dessas palavras. Ele diz como os americanos dizem e como eles dizem. Vale a pena assistir.

Em relação à escrita – ortografia – o inglês australiano, assim como praticamente todos os países de língua inglesa, não tem um órgão que cria regras e fiscaliza o modo como as palavras são escritas. Ou seja, eles não têm algo como a nossa Academia Brasileira de Letras. Para ter certeza sobre a escrita de uma palavra, os australianos recorrem ao Macquarie Dictionary, o dicionário oficial do inglês australiano. Não se preocupe muito! Afinal, no que diz respeito à ortografia, o inglês australiano é muito parecido com o inglês britânico. As diferenças são poucas e para aprendê-las é só ler jornais e revistas australianas para percebê-las.

E por fim, a gramática. O que será que a gramática australiana têm de diferente? Neste ponto, felizmente, a gramática do inglês australiano não é tão diferente do inglês britânico. Há sim diferenças em relação ao inglês americano, mas são as mesmas diferenças existentes entre o americano e o britânico: o uso do Present Perfect em algumas situações, o uso do artigo definido “the” em alguns casos, e outras nem tão grandes assim.

Em resumo, as principais diferenças estão na pronúncia dos sons, no sotaque e no vocabulário. Essas coisas você só aprende se envolvendo com a língua – o jeito australiano de falar e usar a língua. Você pode estudar isso também. Basta encontrar livros que abordem o inglês australiano. Editoras como Oxford, Cambridge, Pearson Longman, Macmillan e outras já desenvolvem materiais (livros, dicionários para estudantes, material de áudio, etc.) voltados para o inglês australiano. Uma visita em livrarias especializadas ajuda você a identificar esses materiais.

É isso por hoje! Caso você tenha alguma experiência com o inglês australiano, uma história, uma dica, qualquer coisa, deixe-a registrada aí na área de comentários. Suas experiências certamente ajudarão outras pessoas que escolhem a Austrália como destino todos os anos.