Dicas Para Aprender Inglês

Falando mais sobre “colligation”

A coisa mais interessante que se tem ao manter um blog é a quantidade de pessoas que realmente leem o que escrevemos. Os leitores anônimos sempre acabam observando coisas que do lado de cá a gente esquece ou não pensa direito. Portanto, quero hoje falar sobre o “dar branco” que citei ontem no texto “O que é colligation?”. O interessante é que o que os leitores comentaram abre espaço para eu falar um pouco mais sobre esse assunto.
Ontem, escrevi que “dar branco” costuma ser usado sempre no passado (deu branco) ou no infinitivo (dar branco). Afirmei ainda que não é comum usar essa expressão no futuro. Mas, os leitores atentos, enviaram e-mails dizendo que dá sim. Portanto, como os argumentos dos leitores são excelente, devo reconsiderar minha tese. Um dos argumentos foi apresentado pela leitora Ana Thaís Coelho:
A expressão ‘dar branco’ é impessoal, então não posso nunca dizer (em qualquer tempo verbal, não apenas no futuro) que eu dei branco, vou dar branco, ele dará branco, mas posso dizer (no presente e no futuro – assim como no passado) ‘Está me dando um branco agora e eu não lembro da resposta’ ou ‘Estou tão nervosa por causa da prova que tenho certeza que vai me dar (me dará) um branco na hora’.
Vendo por esse ângulo, devo reconhecer que realmente é possível. No entanto, o argumento enviado mostra que a ideia de “colligation” (o padrão gramatical que uma palavra ou expressão tem) continua existindo em “dar branco”. Afinal, a própria Ana Thaís escreveu, “a expressão ‘dar branco’ é impessoal, então não posso nunca dizer (em qualquer tempo verbal, não apenas no futuro) que eu dei branco, vou dar branco, ele dará branco”.
Ou seja, a expressão “dar branco” continua tendo uma peculiaridade gramatical intrínseca que acaba provando que a ideia de “colligation” continua por trás de seu uso. Errei ao dizer que “dar banco” não vai para o futuro, mas ainda assim o conceito de “colligation” continua válido; pois, a expressão é impessoal e não é usada em determinadas estruturas gramaticais na língua portuguesa.
Mas adiante no mesmo e-mail, Ana Thaís escreveu:
É, na minha opinião, analogicamente como o verbo haver: ainda que tratem-se de muitas coisas, quando significa existir será sempre no singular: ‘Houve inúmeras lutas na Roma Antiga’.
O verbo “haver”, no sentido de existir também tem um uso gramatical inquestionável: nunca terá plural. Não importa de quantas coisas ou pessoas estivermos falando será sempre no singular. Agora, imagine-se dando aula de português para um estrangeiro e ele então pergunta: “por que não colocamos o verbo haver no plural quando estiver sendo usado no sentido de existir?”. 
Creio que sua resposta seria algo como um simples “por que não”. E ele, como qualquer pessoa que está aprendendo uma segunda língua, certamente insistiria: “mas, por que não?”. E você replicaria, “Por que não! A gente não usa no plural e pronto”. O fato de não ter uma explicação lógica pode até frustrar a pessoas, mas entra aí o tal do “é assim e pronto”. 
Claro que está nas gramáticas de língua portuguesa que não devemos usar o “haver” no plural quando o sentido for de existir. No entanto, quem foi que disse que não pode? Quem colocou isso lá na gramática? Por que essa “regra” foi registrada na gramática? O que no conforta é saber que sempre foi assim e na hora de escreverem as gramáticas essa observação já foi colocada lá e ninguém se preocupou com o porquê. 
Resumindo tudo, minha afirmação de que “dar branco” não é usado no futuro estava incorreta. Os leitores atentos me fizeram ver que é sim possível. Porém, o conceito “colligation” continua de pé. As palavras e expressões (dar branco e haver, por exemplo) possuem um padrão gramatical próprio e nem sempre (ou nunca) conseguimos explicar logicamente. O jeito então é aprender a usá-las em contexto do jeito que são.
Na língua inglesa a situação é a mesma. Nem sempre encontramos uma regra gramatical (ou algo lógico) que nos ajude a entender algo com clareza, nessas horas o jeito é aprender do jeito que eles dizem e ponto final.
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