Metodologia: Progamação Neurolingüística

Tenho recebido perguntas sobre a metodologia de ensino de idiomas conhecida como Programação Neurolingüística. Algumas escolas (de renome inclusive) e até mesmo pessoas (dizem ser profissionais da área de idiomas) afirmam categoricamente que a Programação Neurolingüística é uma abordagem de ensino de idiomas assim com é a Communicative Approach, a Lexical Approach, o Task-Based Learning, o Silent Way entre outras.
Mas a verdade é que a

programação neurolingüística não é um método de ensino de idiomas. [A Programação Neurolingüística] não possui um conjunto de técnicas para o ensino de idiomas baseado nas teorias e hipóteses ao nível de uma abordagem propriamente dita e de um design próprio. Na verdade, trata-se de uma filosofia humanística e um conjunto de crenças e sugestões baseadas na psicologia popular, desenvolvida para convencer as pessoas que elas têm o poder de controlar a elas mesmas […] para que melhorem e também uma série de sugestões práticas sobre como se tornarem melhores pessoas.” (tradução livre de Approaches and Methods in Laguage Teaching, by Richards & Rodgers)

Outro erro comum é achar que “Programação Neurolíngüistica” e “Lingüística” são a mesma coisa. Se você também pensa isto, saiba que Lingüística, de modo simplificado, é a ciência que estuda o desenvolvimento de um ou mais idiomas. Ela se divide em várias outras ciências: lingüística aplicada, psicolingüística, sociolingüística, análise do discurso, etnolingüística, semiótica, lingüística de corpus, lingüística computacional, neurolingüística (que estudam o funcionamento do cérebro na aquisição de língua), entre outras.

Já a Programação Neurolingüística foi criada por psicólogos (Grindler & Brandler) que acreditavam haver uma série de técnicas comportamentais (atitudes) e modos de falar [e pensar] que influenciam a atitude e o modo de vida das demais pessoas, ou a mim mesmo. Ao utilizar estes padrões comportamentais e de fala, eu posso me reprogramar para mudar de atitude. Ou seja, se a vida é péssima, eu devo me reprogramar para ver que a vida é bela. Se tenho dificuldades com alguma coisa (ou alguém), devo me reprogramar para sanar estas dificuldades.

No ensino de idiomas, a Programação Neurolingüística pode ser aplicada com o objetivo de mostrar a você que inglês é fácil, que você é capaz de aprender, você pode memorizar com facilidade, etc. Isto no ensino de línguas é conhecido como princípios humanísticos, usados apenas para ajudar os alunos a relaxar, se sentirem mais à vontade com a língua, mudar a sua atitude com relação ao aprendizado, serem mais conscientes de seu aprendizado e coisas assim.

Querido leitor, não se deixe enganar! Escola de idiomas nenhuma no Brasil (arrisco até a dizer que no mundo) tem um método 100% baseado na Programação Neurolingüística. Cuidado também com os “profissionais” (lê-se charlatães) que dizem dar aulas de inglês baseadas na Programação Neurolingüística e que, portanto, você será capaz de aprender inglês em 30 dias [ou 15, ou 100 horas ou 30 minutos]. Cuidado! Se isto fosse verdadeiro, está pessoa já estaria bilionária.

Pesado e escrito, despeço-me! See you tomorrow!

  • Anonymous

    execente explicação.clara e objetiva

  • http://www.blogger.com/profile/16273424451757401968 Lexical

    muito bom….hehehehehe…vou mandae pros meus entrevistados. vai dar uma "cortada" nos outros cursos. abç

  • http://www.blogger.com/profile/16273424451757401968 Lexical

    Vou enviar aos meus entrevistados, vou dar uma cortada no outro curso..hehehehe..abç meu amigo.

  • Anonymous

    Denilson, sou professora de inglês e adoro as suas dicas, parabéns por sua capacidade de ensinar algo que jamais ouvimos. Parabéns, muito obrigada.Márcia

  • Anonymous

    Denilson, por quê você não dá uma estudadinha a mais sobre Nerolinguística para não correr o risco de induzir seus leitores ao erro? 1- Dr.John Grinder é Linguista da universidade da California , Dr. Richard Bandler é Matematico. 2- É feio falar do que vc não tem dominio.

  • http://www.blogger.com/profile/10679697389014921166 Denilso de Lima

    Querido Anônimo, não sei quem deve estudar mais: você ou eu.Seu primeiro erro foi escrever 'Denilson'. Acho bom você aprender a ler direitinho. Afinal, meu nome é 'Denilso'. Observe a diferença. Volte e leia este parágrafo.Aprenda também o uso dos 'porquês' na língua portuguesa.Seu segundo erro: afirmar tolices sem antes ler um pouco. Veja como uma rápida pesquisa na internet pode ajudar você a largar mão de ser néscio e obtuso.John Grinder é graduado em Psicologia pela Universidade de São Francisco. No entanto, ele possui doutorado em Linguística obtido na Universidade da Califórnia. Ele nunca deixou de ser psicólogo; afinal, foi sua primeira formação.Sr. Richard Wayne Bandler, mais conhecido como Richard Bandler, é mestre em psicologia e até onde se lê em sua biografia e notas a seu respeito, ele não estudou matemática [que feio, Anônimo – larga mão de ser lapuz e patego].Isto eu li em livros de Programação Neurolinguistica [PNL] que tenho na minha biblioteca. Afinal, como pesquisador em aquisição linguistica preciso saber do que falo e escrevo. Mas como você – Anônimo – parece não ter um bom nível de intelectualidade pode pesquisar na Wikipedia e confirmar as informações. Acima de tudo recomendo que você leia o livro 'Approaches and Methods in Language Teaching [Richards & Rodgers], no qual este tema é exposto da mesma forma como fiz no post acima. A diferença é que no livro você lê muito mais e aprende muito mais.Passar bem, seu avilanado!

  • Regina

    Caro Denilso…Parabéns pela página.Ela é tudo de bom, uma verdadeira bússola norteadora para quem precisa de informação de boa qualidade. Mas estou escrevendo porque estou com um probleminha com uma pessoa que se diz Neurolinguista. Vou auxiliá-lo nas aulas de inglês e confesso que não sei como. Ele tem essa postura de ser muito sociável, de ser muito falante, de dizer que tudo é fácil enfim, de convencer o aluno de que ele já sabe inglês, que ele só precisa "acessar" essas informações no seu subconsciente, etc. O problema é que nós temos um púlico de escola pública, de baixa renda, com pouco acesso a informação (livresca, cultural, tecnológica), e o cara insiste em não falar uma palavra em portugues, as aulas são todas elas, do início ao fim em inglês. Conclusão: perdemos muitos alunos com essa postura adotada por ele. Em contrapartida eu aprendi inglês um pouco por conta própria e depois fui trabalhar fora do país. Confesso que aprendi o inglês falando pq lá fora vc não tem outra opção. Tive pouquissimas aulas de grámatica e aprendi muita coisa pelo método "Inglês para Estrangeiros" no qual vc aprende tudo na prática. Vc vai ao supermercado, vc vai a farmácia, ao restaurante e vc acaba aprendendo com todas estas situações e com todas as outras que variam dessas. Aprendi também por mnemotecnica e por ai vai. Como posso trabalhar dentro de uma linha metodológica que não vá de encontro ao que ele aplica nas aulas? Como dar aulas de inglês para pessoas jovens com pouca experiência e que nunca tiveram contato com inglês a não ser o da escola? Desculpe o mail grandão. Mas acredite que ele não traduz toda a minha apreensão.Agradeço quaquer ajuda… Regina

  • Thiago

    Denilso, caríssimo! Parabéns a você e a este blog que você mantém com tanta qualidade!!Essa pessoa, que nem se identificou, por isso mesmo, nem merecia a sua atenção. Contudo,você, de forma SUPERIOR, explicou tudinho…Obrigado por ajudar a tantos profissionais do ensino da Língua Inglesa, que, muitas vezes, na correria do dia-a-dia não têm tempo de estarem se detendo a compêndios.

  • viva

    Denilso, Afinal de contas, voce acha que os professores deveriam fazer cursos de PNL para ensinar a Lingua inglesa? sabemos que nao é uma metodologia, mas poderia ser um diferencial para as aulas? Ou tudo que se aplica a PNL ja é abordado no Communicative Approach? Gostaria de fazer um curso de PNL para ajudar meus alunos, mas tenho medo que seja tempo e dinheiro jogado fora. Oque voce acha? obrigada. Rose M. 3:57:26 PM

Denilso de Lima 23/09/2008